sábado, 17 de agosto de 2019

Fazendo de Conta.


As empresas estatizadas ficaram marcadas como indesejáveis. Atribuir aos governos populistas toda a má fama delas é subestimar o longo processo de desgaste sofrido na mente da população. É verdade que os desmandos - roubalheira ilimitado, má gestão e patrimonialismo - aceleraram o desmanche das estatais. Os escândalos foram tantos e de tamanha proporção que não deu mais para esconder. As raposas comeram todas as galinhas do galinheiro. Agora não  há mais galinhas e nem desculpas esfarrapadas  a justificá-las.

Sair portanto desse mal se tornou óbvio e desejável até para o  menos esclarecido cidadão -  evidentemente com exclusão das mentes ideologizadas ou dos seus gigolôs . Assim a privatização é   aceita como uma solução perfeita. O que não é verdade absoluta. Pois há  dois tipos de privatização: a  pura  e a viciada. Esta, por pior que seja, é melhor do que nenhuma. Um exemplo  da viciada foi a da Rússia, cujo processo de venda das empresas do estado foi  uma negociata nos  padrões comuns às  coisas do governo. As empresas   foram entregas para os “amigos do rei” ,em condições de  monopólio,   à serviço do jogo político do Czar de plantão, Putin.

O Brasil foi mais feliz nas privatizações. Houve real melhoria nas estradas, redução de prejuízos e melhora do desempenho  de grandes indústrias  e do serviço de telefonia. Neste há o registro negativo da   concessão suspeita de beneficiar, com financiamento público , um grupo da política dominante - hoje falido. O  serviço de telefonia  atual satisfaz  em comparação à porcaria que era a antiga Telefônica. Admitir a melhora dos serviços não significa  estarem estes  a par da melhor tecnologia disponível . Nosso avanço foi bom em relação ao seu  histórica, mas longe da qualidade dos serviços, da acessibilidade e dos custos dos países mais avançados. Estamos, mal e mal,  no 3G em vez do 5G e a operação é bastante falha.

O que está errado no  nosso modelo de  privatização? Privatizamos os meios,  não a nossa mentalidade. Continuamos com o velho cacoete de vender concessões, de regular em detalhes e de controlar as  privatizadas. Esta mentalidade patrimonialista  afasta bons operadores por duas razões: o intervencionismo e o ágio. Alguém é candido o suficiente para acreditar que a burocracia  das agências reguladoras não é cooptada pelas fiscalizadas, de que  excesso de regulação mais onera os custos do que  controla o essencial, que o  ágio cobrado  em leilão ( * nota de rodapé) não será pago pelo consumidor ? Certamente todos os pensantes têm certeza de pagar os ágios  em tarifas e em serviço de pior qualidade. Estas barreiras à entrada reduzem a competição e consequentemente os benefícios ao consumidor. A menos que por um milagre não seja  mais do couro que saia a correia  ou que São Francisco Assis transmudado em empresário veio fazer caridade por aqui.

A privatização dará todos os seus frutos ( oxalá) no dia em que deixe de ser mais um instrumento disfarçado de arrecadação ( mais um imposto acrescentado aos muitos existentes ) e passe ser um  instrumento da produtividade.

Enquanto isto, vamos fazendo de conta que aderimos à economia de mercado, mas  lamentando o  custo Brasil.

Jorge Simeira Jacob 




Nota - * o ágio tem sido usado como critério de seleção. Questionasse qual seria a alternativa. Uma ideia foi a escolha da melhor oferta em termos de serviço e menor ônus ao consumidor. O governo transferiria o benefício ao mercado.
Cheiro De Enxofre.


 Na Argentina há cheiro de enxofre no ar. O diabo,  lembrando o  inferno , está nas pesquisas eleitorais ao destacar na liderança a ex-presidente Kirshner para as próximas eleições. A reação  do governo foi decretar um  congelamento de preços. Sinal eloquente de desespero. O que a oposição explora como  um exemplo de fracasso  da economia de mercado. 

Macri  assumiu a presidência    com a proposta de  redução da intervenção governamental na economia,  contenção dos gastos públicos, retorno  da verdade nos dados estatísticos, restabelecimento do crédito no mercado internacional... Tudo de acordo com o ideário  liberal.

O que deu errado? 

Poucas promessas foram cumpridas. Consequentemente a realidade não mostrou resultados. A  inação motivada pelo receio de que um choque reformador traria sacrifícios insuportáveis ou indesejados levou à moderação na implantação das promessas . O  tempo passou  sem o  enxugamento do governo ( déficit de 7,2% do PIB e 45% de carga tributária )  e sem  a redução do  custo de  transações.  Uma política que deveria estimular  a poupança   e os  investimentos. Ao contrário o país continuou pagando  juros elevados para manter um governo inchado e uma crescente dívida pública. Sem as reformas  e uma agenda positiva que minorasse o ajuste dos menos favorecidos,  o ônus  foi a queda da renda do cidadão em consequência dos preços ao consumidor, a baixa atividade econômica e a insatisfação do eleitorado.

Como regra a grande massa reage como São Tomé - só crê no que vê! não vendo as melhoras esperadas, sem um sopro de esperança, se tornou  sensível ao discurso populista . Como visão  de estadista não capta voto de quem passa fome, a ameaça está se materializando no retorno ao que era antes - a volta do populismo-estatizante.

O problema dos tratamentos contemporizadores, é o tempo - quanto mais gradual ou limitadas as reformas maior é o prazo  necessário para surgirem os resultados. E como as eleições se sucedem rapidamente , estes projetos correm sérios riscos, como os que a duras penas está descobrindo o presidente Macri. 

Está aqui  posto o grande desafio de economias em crise no  regime democrático com eleições de  curto prazo. Tema constantemente abordado em reuniões liberais, que diante do desafio de reconstrução de uma economia se dividem em duas correntes:   Tratamento de Choque ou Gradualista. A primeira  , na linha de Machiavel, são a dos que acreditam que o esparadrapo deve ser arrancado de súbito, pois retardar os resultados dá tempo para o fortalecimento da oposição e pelo risco de   não entregar resultados antes da próxima eleição; e a dos  Gradualistas , ainda que convictos  das práticas de mercado,  entendem prudente  se dar tempo para os agentes econômicos  se adaptarem. Perguntam eles,  com razão: como expor as empresas locais à competição se as condições estruturais são diversas dos concorrentes internacionais? Como competir com   custos de transações, juros, insegurança jurídica ...que enfraquecem os nacionais?

Macri fez   um mínimo de reformas , Gradualista, com resultados insuficientes.  Erhardt, como Ministro da Economia da Alemanha, no pós guerra,  adotou  o    Tratamento de Choque, que resultou no Milagre Alemão e  o do Presidente Castelo Branco que resultou em uma década de grande desenvolvimento. Nenhum exemplo conheço de  desenvolvimento sustentado com Tratamento Gradualista e menos ainda com um  anêmico gradualismo - todos foram se deformando com o tempo -  eternizando o atraso e a pobreza da nação. 

Olhando para o nosso umbigo, diante da crítica situação da nossa economia, com a confiança no governo em queda, o tempo está contra nós. Faltam, só três anos para a próxima campanha eleitoral. Se não conseguirmos  - independentemente das circunstâncias - melhorar a renda das famílias e a esperança dos agentes econômicos, o ar poderá cheirar enxofre e corrermos  o risco de de sermos amanhã  a Argentina  de hoje.

Quem tem juízo, ao ver as barbas do vizinho ardendo, põe as próprias de molho!
Jorge Simeira Jacob












segunda-feira, 12 de agosto de 2019




Das Asas De Uma Borboleta.


Todo falso profeta ( será que existe algum que não o seja? ) é na essência um presunçoso. E quando penso em profetas não estou focando os religiosos, que, em se tratando de teologia,  de assuntos do  além, não correm, por óbvio,  o risco de serem desmentidos. Penso nos visionários de situações políticas, sociais  e/ou econômicas. Entre os quais  incluo a mim mesmo e a muitos dos meus interlocutores, pois estamos sempre fazendo  previsões e profecias, a maioria das quais é  desmentida pela realidade. Quem já não teve esta experiência que atire a primeira pedra!

Mas e os acertos? São raros, mas existem, todos  explicáveis pela Teoria do Caos -  segundo a qual , conforme  Edward Lorenz, seu teórico, um  desvio casual no início ou no meio do processo pode determinar resultados totalmente imprevisíveis, como :” o bater das asas de uma borboleta no Brasil  poderia  causar uma tempestade nos Estados Unidos “;  da queda de uma maçã na cabeça de Newton   resultou diferente das milhares caídas em milhões de outras cabeças; uma facada em um candidato em plena campanha  pode tê-lo favorecido nas  eleições... Um bater das asas, a queda de uma maçã, um atentado    podem  ser um  evento causal a alterar  resultados, ou seja,  todos eventos fortuitos podem  desviar o curso da história e favorecerem algumas profecias. 

E os desacertos? Estes infinitamente mais numerosos do que o seu contrário, não fogem à regra. Mas mesmo a soma dos acertos e dos desacertos  não enfraquecem o nosso ímpeto de  ler o futuro.  Ignoramos  o adagio segundo o qual   o futuro a Deus pertence. Porém, projetar o porvir, que  é um  exercício especulativo  necessário de planejamento , não é o mesmo que profetizar. Este, ao contrário da especulação, é categórico e assumido dogmaticamente . Nele não há o elemento dúvida, erro que   Lorenz não cometeu ao questionar os  resultados das  suas experimentações. Fosse outro metereologista, alguém sem a sua sólida formação de matemático, aceitaria   o primeiro resultado   como a verdade final. E não teria elaborado a Teoria do Caos - que é um estímulo à dúvida.

Temos assim a  lição de que  à cada tentação de profetizar deve ser seguida da   lembrança de que um simples bater das asas pode mudar tudo . Questionar  tudo, inclusive nós mesmos, é  o princípio da sabedoria . Os ignorantes tendem às certezas, daí o apego  ao fanatismo de todas as espécies e o poder de persuasão das ideologias,  daí o perigo dos atos de fé, dos dogmas  tipo: Deus é brasileiro! , ninguém segura este país ! Eles podem levar-nos   a crer  que fazendo tudo errado ou tudo certo o resultado será o desejado. Contrariando a ideia de Anatole France  que ensinava : “ devemos duvidar de tudo, até das dúvidas”

Segundo   a Teoria do Caos  é possível e , da mesma forma,  impossível que um Presidente estabanado, impulsivo, despreparado possa , escrever reto em linhas tortas como Deus. Tudo dependendo do bater das asas de  uma borboleta. Se na direção certa... estaremos salvos do atual caos, como teorizado. Se na errada...



sábado, 10 de agosto de 2019

A Nascente - oferta grátis.

Pedro Luis Ribeiro, responsável pela tradução do texto A Nascente, oferece por meu intermédio, gratuitamente,  alguns exemplares desta  obra clássica de Ayn Rand para os leitores deste blogue.

Reproduzo a seguir uma nota do Pedro e uma resenha do livro para despertar interesse. 

Os interessados devem manifestar-se pelo e-mail jwsjbr@gmail.com , anotando nome e endereço. Os livros poderão serão entregues por portador ou retirados com Alessandra, no seguinte endereço:

310 Rua dos Três Irmãos
Sao Paulo SP
05615-190
Tel 3512-7004

Jorge





                     Nota do Tradutor


O livro é para quem gosta muito de ler, extenso e complexo. Até hoje, tanto Atlas Shrugged como esse, são leituras obrigatórias nas boas escolas americanas. Embora o cerne do objetivismo não tenha “pegado” a gente vê idéias da Ayn Rand nos pensadores políticos liberais de hoje. Meu filho Fabio é objetivista roxo, e é um dos  contribuidores do pensamento do Partido Novo.

Aqui vai um texto que traduzi: (Ha quem diga que o personagem principal foi inspirado em Frank Lloyd Wright).

The Fountainhead é um romance de 1943 da autora russo-americana Ayn Rand, seu primeiro grande sucesso literário. O protagonista do romance, Howard Roark, é um jovem arquiteto individualista que projeta edifícios modernistas e se recusa a comprometer-se com um estabelecimento arquitetônico que não quer aceitar inovações. Roark personifica o que Rand acreditava ser o homem ideal, e sua luta reflete a crença de Rand de que o individualismo é superior ao coletivismo.

Roark se opõe ao que ele chama de "funcionários de segunda mão", que valorizam a conformidade em detrimento da independência e da integridade. Estes incluem o ex-colega de classe de Roark, Peter Keating, que consegue seguir estilos populares, mas pede ajuda a Roark para problemas de design. Ellsworth Toohey, um crítico de arquitetura socialista que usa sua influência para promover sua agenda política e social, tenta destruir a carreira de Roark. A editora de tablóides Gail Wynand procura moldar a opinião popular; ele se torna amigo de Roark, depois o trai quando a opinião pública se volta em uma direção que ele não pode controlar. O personagem mais controverso do romance é o amante de Roark, Dominique Francon. Ela acredita que a não-conformidade não tem chance de vencer, então ela alterna entre ajudar Roark e trabalhar para prejudicá-lo. Críticas feministas condenaram o primeiro encontro sexual de Roark e Dominique, acusando Rand de endossar o estupro.

Doze editores rejeitaram o manuscrito antes que um editor da Bobbs-Merrill Company arriscasse seu emprego para publicá-lo. As opiniões dos revisores contemporâneos foram polarizadas. Alguns elogiaram o romance como um poderoso hino ao individualismo, enquanto outros o consideravam muito longo e sem personagens simpáticos. As vendas iniciais foram lentas, mas o livro ganhou seguidores de boca em boca e se tornou um best-seller. Mais de 6,5 milhões de cópias do The Fountainhead foram vendidas em todo o mundo e o livro foitraduzido para mais de 20 idiomas. O romance atraiu um novo público para Rand e teve uma influência duradoura, especialmente entre arquitetos, conservadores americanos e libertários de direita.

O romance foi adaptado em outros meios de comunicação várias vezes. Uma versão ilustrada foi publicada em jornais em 1945. A Warner Bros. produziu uma versão cinematográfica em 1949; Rand escreveu o roteiro e Gary Cooper interpretou Roark. Os críticos criticaram o filme, que não recuperou seu orçamento; vários diretores e escritores consideraram o desenvolvimento de uma nova adaptação cinematográfica. Em 2014, o diretor teatral belga Ivo van Hove criou uma adaptação para o palco, que recebeu principalmente críticas positivas.

Obrigado

Pedro


quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Uns e Outros.


Atordoado, como ao despertar de um sono profundo, estou de    frente a um monte de recordações.  Dou-me conta que de repente a vida está chegando ao fim. Vejo, em avaliação cuidadosa, como ela foi boa e está terminando bem. 

Ainda mal acordado, num relance , constato como foi agradável o convívio com aqueles que amo;  a alegria compartilhada com os  amigos; a adaptação sem sofrimento às  limitações da idade; e  - ainda que  menos importantes - a satisfação no combate travado nos campos dos negócios e dos esportes.

Este  e os anos precedentes  foram períodos felizes por terem sido vivenciados  sem nos causar  mágoas, frustrações, amarguras e tédio. Não prejudicando, portanto, o lado belo e bom da vida.   Deles não tenho  a mínima lembrança de um momento de inveja ou de rancor .  Restando-me tão somente o sentimento da realização, do destemor, e do ter sido útil. Sem que isto tenha um travo de presunção ou vaidade pueril.



Nada disto! Pois há evidência de não ser este sentimento de felicidade uma conquista exclusivamente minha. Muitos compartilham desta mesma emoção. Outros, como  a necessária exceção, para confirmar a regra,  chegam ao ocaso da vida  com o sentimento de tempo perdido, de sonhos frustados e de poucas esperanças pelo futuro. Não ousando ao menos sonhar com uma possível dose  de sorte!

O que divide estes dois segmentos de uma mesma sociedade? Os copos quase cheios e os quase vazios?



Uns, positivamente, colocam os holofotes no lado bom dos acontecimentos.  Saboreiam e se encorajam à cada conquista. À cada êxito se segue uma comemoração!  Não permitem que estas caiam na caixa do esquecimento. Ao contrário, fazem das vitórias, por pequenas que sejam, as razões do seu ânimo, da sua alegria . Abrigam, no íntimo,  a virtude do bom humor, por ser ele  o húmus da felicidade,  e, na aparência , a sabedoria expressa nas rugas da face e nos cabelos brancos.

Os outros, negativamente, mastigam, ruminam, regurgitam para reiniciar infinitamente o processo digestivo  e angustiante das derrotas, dos fracassos, e das batalhas perdidas . Fazem das suas mazelas a base das suas constantes manifestações de revolta , contrariedades e rabugices. Combatendo  o mundo, como num bumerangue, derrotando a si mesmos.


Um exemplo de positivo enfrentamento da vida, deu um campeão de golfe que, entrevistado, negou ter errado uma só tacada em toda a sua carreira. Ao ser confrontado com um dos seus comprovados erros ,disse categoricamente ao entrevistador:

 - "Este lance não foi meu! Não me lembro dele. Das minhas tacadas só registro as boas. Aliás, se ficasse pensando nos meus erros, nunca  seria um campeão".

Assim são uns e os outros!


Jorge Simeira Jacob



domingo, 4 de agosto de 2019

Romance de Amor

Ofereço gratuitamente, aos leitores deste blogue,  vinte exemplares  do romance italiano Fosca, obra prima do escritor Igino Ugo Tarchetti. Os interessados devem enviar para  email jwsjbr@gmail.com o seu endereço para remessa. Serão atendidos os primeiros vinte pedidos.

Para despertar interesse, transcrevo a seguir o meu  Introito ao livro.



                                                                 INTROITO


Sem exceção todos os que souberam da minha ideia de traduzir um texto de 150 anos, escrito no italiano da época e no estilo então vigente, perguntaram com surpresa - por quê?

Tomei conhecimento desta obra prima de Tarchetti através do filme de Etore Scola: Passione d’Amore baseado no mesmo tema. À princípio intrigou-me o título, pois sempre vi diferença entre a paixão e o amor. Ao ler o livro entendi Scola que, em vez de destacar no título a personagem Fosca, como no original, Passioni D’amore foi a opção por focar no enredo que descreve o amor levado ao nível de uma paixão permanente, não passageira como costumam ser as paixões. Depois de assistir ao filme, apaixone- me pela história, mas sentia - ainda que Scola tenha sido genial na transposição do livro para a tela - que havia mais a desenterrar deste texto. Foi o que me remeteu ao livro.

Um bom romance, este é um caso, deve apresentar-se em três dimensões: o enredo, os personagens e as figuras poéticas de linguagem. Ha leitores que se satisfazem com uma trama bem tecida, se possível original, surpreendente e bem concatenada; outros mais exigentes querem ver nos personagens as suas características, racionalidade e coerência - se possível um tipo que se torne uma referência (quem esquece a indecisão de Hamlet ); e
por último a sabedoria transmitida poeticamente nos diálogos.

Estas dimensões foram exploradas maravilhosamente por Tarchetti: o texto é muito bem elaborado, prende a atenção, corre suavemente e as figuras de linguagem são admiráveis tanto pela perspicácia da análise como pela beleza na figuração. É um texto carregado de poesia. Fosca será referência como personalidade complexa, possessiva e obstinada; e referência, em especial, para nós românticos, que já vivemos intensamente uma paixão de amor.

Incompreensivelmente, este livro só está disponível em italiano, mas com edições esgotadas no francês, inglês e espanhol. Como tive que ler no original, ocorreu-me traduzi-lo para o por- tuguês para ter com quem compartilhar o “capolavoro” deste jovem escritor, morto aos 29 anos de idade, mas com uma sensibilidade capaz de entender e traduzir a psicologia de todas as idades.

Iginio, o autor, para não terminar sem uma crítica, falhou na sua regra de que “um bom texto não deve pretender ensinar, mas tão somente divertir”. Fosca entretém, mas sobretudo ensina a entender um pouco da psicologia de certos tipos humanos com uma sabedoria emoldurada na poesia da sua linguagem.

Nota - Este Introito estaria incompleto sem créditos e agradecimentos: ao revisor e editor do texto, o escritor e professor de Filosofia do Direito, Dr. Jacy de Souza Mendonça, que prefacia o livro e que contribuiu com críticas e sugestões para melhorar o nível da compreensão; à Dra. Franscesca que resenha o texto com a profundidade de psicanalista; e o escritor, jornalista e político, Irapuan da Costa Junior, que comenta o livro e guiou-me para viabilizar a sua edição. Como também alertar o leitor de que algumas passagens, talvez pela dificuldade com a língua ou expressões idiomáticas, ainda que correspondendo a uma tradução correta, exigiram da nossa parte uma interpretação - que acreditamos não tenha fugido à intenção do autor.



Jorge Wilson Simeira Jacob

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Papai Noel Existe?
De repente , num abrir e fechar de olhos , estamos em dezembro. Mais um ano está no passado,  menos um no futuro. E, como sempre, surpreende ver como o tempo se esvai rápido ... qual areia entre os dedos se vão  os dias  com os sonhos não realizados.
Não é necessário um calendário para notar  o Natal chegando. Está no ar.  Dá  para respirar e sentir o espírito natalino. O clima de festa permeia as conversas, as atenções estão concentradas nas festas comemorativas. As relações se humanizam tornando a vida mais gostosa. As pessoas   ficam mais amáveis, tolerantes e generosas com os seus semelhantes. 
Afinal Papai Noel está chegando para premiar os que se comportaram bem, desde que acreditem na sua existência.
Você acredita? Eu sim! E tenho razões para isto : nunca deixei de ter atendidos os meus desejos.  A minha família, os meus amigos e os colegas de trabalho -  a par da saúde, 
da  coragem e um pouco de sorte têm me sido servidos em doses adequadas para fazer de mim um homen feliz com o seu destino. Foi o que pedi...foi o que recebi!
O que fiz para merecer tanta generosidade do Papai Noel? Nada de mais ! Simplesmente me ative ao preceito cristão de não fazer aos outros o que não gostaria que me fizessem.  O que é fácil, pois , como  gosto de gente, me esforço para que  as pessoas também gostem de mim - "amor com amor se paga "! Esta é uma receita simples que todos podem copiar. E que a envio como nossa mensagem de Boas Festas  para  que o espírito natalino sobreviva este momento e esteja presente em todos os seus dias do novo ano.


Jorge Simeira Jacob