sábado, 2 de maio de 2026

A mulher madura está na moda

  • Mudanças na moda e no comportamento apontam para a valorização da experiência e da autonomia feminina



A edição deste mês da Vogue — a mais prestigiosa revista de moda do mundo — traz na capa quinze modelos da terceira idade, duas delas com 76 anos. A pergunta que estampa a revista é provocativa: “Por que a moda repentinamente ama a mulher mais velha?”

Ao ignorar a barreira da idade, a própria Vogue busca estar na moda. A idade, agora, conta como vantagem. Não apenas pelo valor simbólico, mas pelo poder econômico: mais de 70% da riqueza nos Estados Unidos está concentrada nas pessoas com mais de 55 anos.

Durante décadas, economistas falaram no poder do silver dollar, enquanto a moda insistia no culto à juventude. A mudança atual, porém, parece mais profunda. Não se trata apenas de mercado, mas de cultura.

Na mesma direção, o New York Times publicou, em 16 de abril de 2026, um artigo de título chamativo: “As mulheres mais velhas estão sendo demandadas por homens mais jovens”.

O fenômeno revela uma inflexão nas relações contemporâneas. Homens jovens passam a buscar mulheres mais velhas — não só por estabilidade econômica ou aparência preservada pelos avanços da medicina estética, mas pela maturidade emocional. Elas oferecem experiência, segurança e autonomia.

A independência conquistada pela mulher — fruto do acesso à educação, ao trabalho e ao controle da própria vida — ampliou seu poder de escolha. Hoje, pode decidir inclusive por parceiros mais jovens, em busca de satisfação afetiva e sexual.

O que se desenha é uma mudança no eixo do poder. Ao longo da história, a força física sustentou a predominância masculina. Agora, cede espaço à experiência, à inteligência e à autonomia.

A mulher madura está na moda porque o mundo mudou — e com ele, as relações entre homens e mulheres.

São Paulo, 24 de abril de 2026.
Jorge Wilson Simeira Jacob