domingo, 28 de janeiro de 2024

 A revolução de Gramsci


Antonio Sebastiano Francesco Gramsci ,Italiano, (    1891 -  1937 ) foi um filósofo marxista, escritor, teórico político, jornalista, crítico literário, linguista, historiador e político italiano. Escreveu sobre teoria política, sociologia, antropologia, história e linguística. Foi membro-fundador e secretário-geral do Partido Comunista da Itália, e deputado pelo distrito do Vêneto, sendo preso pelo regime fascista de Benito Mussolini. Gramsci é reconhecido, principalmente, pela sua teoria da hegemonia cultural que descreve como o Estado usa, nas sociedades ocidentais, as instituições culturais para conservar o poder. A sua obra mais conhecida são os Cadernos do Cárcere, onde desenvolve a sua teoria.


A partir da aceitação pela esquerda das ideias de  Gramsci, o mundo dividiu-se radicalmente em duas partes. Agora, mais do que em qualquer outra época , criou-se uma tal  radicalização de opiniões,           que passa despercebida para a maioria da população a verdadeira causa em discussão .Poucas dão-se conta que por trás das posições à respeito da moral, do sexo, das minorias, dos desprotegidos tem menos a ver com a defesa destes grupos e mais como instrumentos de uma guerra ideológica  idealizada por Gramsci. O buraco é mais embaixo, no linguajar do leigo. O verdadeiro objetivo é criar um conflito que leve à derrubada do sistema econômico vigente



As trocas de ideias  na sociedade abordam temas delicados que separam os conservadores dos esquerdistas sem atentarem para os desdobramentos mais profundos das suas ideias. Ricardo Gomes     em vídeo  , de poucos minutos,  dá uma aula muito elucidativa sobre o assunto. Ele, em dois gráficos, de forma muito didática mostra a evolução a partir da tese central de Karl Marx e a revolução de Gramsci. 


Conhecer a profundidade das ideias tão claramente expostas no vídeo é conhecer a essência da revolução proposta por Antônio Gramsci. A sua revolução dos conceitos comunistas foram geniais ao mostrar um caminho para a conquista do poder diferente de Marx. Com isto ele subverteu a ordem das ideias, alterando a causa com efeito.


Enquanto Marx acreditava que a derrota do capitalismo seria a tomada do poder pela força e  a eliminação das classes, Gramsci genialmente indicou um caminho contrário. O comunismo deveria conquistar a classe intelectual, os formadores de opinião : jornalistas, artistas, professores, funcionários públicos, religiosos para catequizar as massas ignorantes; deveria também desmoralizar os valores conservadores: família, moral sexual, religião, dividir a sociedade entre eles e nós, tomar partido das minorias e dos desprotegidos para atingir o poder.


Solapar as bases conservadoras da sociedade , criar o politicamente correto, é parte do jogo de poder. Que ultrapassa a simples tomada do governo, mas pretende mudar a ideologia vigente. Para Marx era uma questão de classe, para Gramsci, valores. Mudar os valores da sociedade , pretendia ele, levaria à derrocada o sistema capitalista.


Portanto, ao assistir o vídeo o leitor do Jornal Opção estará vacinado contra a retórica esquerdista e poderá não ser ingênuo diante de uma discussão cuja razão primeira é ideológica 





Clique no YouTube : Ricardo Gomes marxismo cultural, para assistir a uma aula imperdível.




Jorge Wilson Simeira Jacob9

Sao Paulo, 05 de janeiro de 2024)0 

sábado, 20 de janeiro de 2024

 A busca pela imortalidade



John Gray é um escritor profícuo. Professor da London School of Economics e da Oxford . Escreveu textos memoráveis . Resenhei dele  A Missa negra , que li com encantamento. Entre os seus títulos está o aclamado Cachorros de palhas. Não há como resistir às oportunidades de penetrar nos seus livros que estejam ao nosso alcance. O que foi o caso do A busca pela imortalidade ( editora Record, 251 pg, $59 )


A imortalidade é um assunto que evitamos, por fúnebre e sem esperança, mas que está no subconsciente de todos nós. A visão da morte é certamente a mais certa das nossas ameaças. Não há ainda à vista alternativa à sobrevivência física. Podemos, quando muito, estender por alguns anos a  vida terrena e , como consolação,  acreditar na existência da alma como fazem os teístas.


No texto do A busca pela imortalidade, a obsessão humana em ludibriar   a morte, contrariando a minha expectativa de que teria como meta discutir a existência de uma vida extraterrena — uma alma — trata o autor da sobrevivência terrestre do animal humano, e não da existência de uma outra vida, o que me deixou frustrado.


O livro se divide em três partes: Correspondências cruzadas, que aborda as experiências do espiritismo; Os construtores de Deus, sobre a crença dos soviéticos de alcançarem a imortalidade; e — a Doçura da mortalidade, uma defesa das desvantagens da imortalidade .




Na primeira parte, Correspondências cruzadas ,  desenvolve a  busca de contato com as almas do outro mundo para descobrir os mistérios da vida ( ou da morte ). É uma parte rica em casos práticos de sessões mediúnicas com personagens importantes na nossa história ( Darwin entre eles ), mas que terminam de forma conclusiva de não passar de truques não honestos nos métodos usados. Portanto, não está, segundo Gray, aí a resposta à imortalidade.


Na sequência — Construtores de Deus —  Gray concentra a nossa atenção na história das experiências dos comunistas . A ideologia comunista acreditava que o materialismo histórico seria capaz de alcançar para os humanos a imortalidade. Lenin, após a morte, foi embalsamado com a crença de que com o tempo seria ressuscitado com o desenvolvimento da ciência. 



Se a experimentação de métodos para alcançar a imortalidade não tiveram sucesso na visão comunista, o enredo das experiências do regime mostram o que foi a tragédia desse regime. Talvez o melhor do livro seja a descrição da quantidade de assassinatos políticos, verdadeiros massacres, o terror dos seus métodos para arrancar confissões de suspeitos adversários políticos e  os seus campos de concentração — que devem ter servido de modelo para os nazistas.


A perseguição política não teve limites no governo dos comunistas.  Os bolcheviques mataram mais inimigos políticos  em quatro anos do que os Romanoff em trezentos anos de império. Torturaram de forma cruel. Colocavam as mãos das vítimas em água fervendo até o ponto de poder tirar a pele como  descalçar uma luva.   A experiência comunista foi o maior descaso do sentido humanitário da história —  comparável ao nazismo.




Já a parte final do livro — Doce mortalidade — definindo no último parágrafo a sua ideia, Gray diz:


“ O que seria mais mortal do que a incapacidade de morrer? 

A vida após a morte é como uma utopia, um lugar onde ninguém quer viver. Sem as estações, nada amadurece e cai no solo, as folhas nunca mudam de cor nem o céu altera o seu vago azul. Nada morre, assim nada nasce. A existência eterna é uma calma perpétua, a paz do túmulo”


Gray é um ateu assumido, o que certamente influenciou o seu ceticismo com a busca de contatos com as almas do outro mundo — nas Correspondências cruzadas; com as crenças na extensão da vida animal — nos Construtores de Deus; e a sua desilusão de ser a morte — na  Doce mortalidade, como a  melhor  resposta à obsessão humana em ludibriar a morte.




São Paulo, 12 de janeiro de 2024

Jorge Wilson Simeira Jacob


sábado, 13 de janeiro de 2024

 Hayek no Brasil.



Conhecedor da minha admiração por Friedrich August von Hayek, presenteou-me o meu amigo Roberto Teixeira da Costa com o livro “ Hayek no Brasil”, que eu desconhecia. Trata-se de um compêndio de artigos, entrevistas e debates havidos nas três visitas feitas por Hayek ao nosso país. Visitas  que não teriam acontecido se não fosse a iniciativa de Henry Macksud , editor da Revista Visão, amigo pessoal e companheiro do ilustre intelectual na prestigiosa Mont Pelerin Society - da qual fui membro.


Poucos são os que conhecem  a bibliografia de Hayek. Muitos leram ou ouviram menção ao seu livro Nobel de economia, A Caminho da Servidão — uma leitura obrigatória a todos os que se interessam pela preservação da liberdade individual. Este livro, Hayek no Brasil, lançado em 2006 pelo Instituto Liberal, por iniciativa de Cândido Mendes Prunes, torna acessível um bom mostruário de pensamento seminal do autor. A redação é em tom jornalístico, portanto muito acessível — como fácil de entender é tudo desse autor.  São 312 páginas ( $79 ) que , aos neófitos darão uma boa visão das propostas de Hayek e aos conhecedores da sua obra uma oportunidade de refletir sobre elas.


Sobressai no texto, além da criatividade, a personalidade hayekiana . Talvez a sua origem  austríaca explique a honestidade, franqueza e fidelidade às ideias. O seu idealismo não perdoa nem as suas discordâncias com amigos próximos como Milton Friedman, Lord Keynes e outros. Hayek é radical, isto é, não fica nas ramagens, vai a fundo. 


Hayek foi intelectualmente profícuo. Produziu muito na sua longa vida. Sobretudo foi original. Reconhece ter feito na sua vida  uma descoberta e duas invenções . A descoberta é a função-guia dos preços no controle do mercado. As duas invenções, uma é a desnacionalização da moeda, e a outra, a proposta de reforma da democracia ( a demarquia ).


Na formulação da  função-guia dos preços demonstra ele serem os preços um sistema complexo de informações a orientar a produção e distribuição dos bens. Nenhuma inteligência é capaz de absorver todas as informações transmitidas pelos preços. Por isto os preços devem ser livres, sem interferências. Com a sua habitual capacidade retórica, diz: “ se houvesse um homem onisciente, a liberdade seria dispensável”.


Na desnacionalização da moeda, em essência, Hayek se atém a um princípio que defende: o governo não deve ter o monopólio do dinheiro. “Nunca se terá uma moeda boa, se o governo puder emitir”. É o fim dos bancos centrais e a sua burocracia. Na reforma da democracia, a demarquia divide o governo em duas assembléias: a assembleia legislativa, que se incumbiria das leis e a assembleia governante, que teria responsabilidade  do governo. 


Hayek foi interlocutor privilegiado dos governos de Margareth Thatcher e Ronald Reagan. Era um pregador incansável dos valores da liberdade. Considerava-se um libertário. Não aceitava a definição liberal por esta confundir com a deturpação do sentido existente nos Estados Unidos. Não se furtava a debates e palestras mundo afora para difundir as suas crenças. Foi combatido e marginalizado por muitos anos, enquanto prevalecia os engodos das teses de John Maynard Keynes, de quem foi amigo pessoal. Mesmo assim nunca abriu mão do seu proselitismo. 


 Afirmava ele: “ o liberalismo é cientificamente superior ao socialismo, e sobretudo ao comunismo, que considerava uma superstição.Chamo de superstição todo sistema em que os indivíduos  acreditam saber mais do que a realidade. Estes acreditam poder refazer o mundo a partir de um modelo de sociedade teórico”.


Respondendo a um jornalismo para que explicasse o estado minimalista, deu a seguinte resposta: 


 Hayek - há dois campos na ação do Estado: os poderes de coerção do governo e os serviços que ele presta sem coerção.Seus poderes de coerção devem ser limitados à aplicação das leis, as mesmas para todos, e à defesa contra a agressão externa. Não nego que  o governo possa prestar outros serviços , até mesmo financiá-los…desde que ele nunca tenha o monopólio desses serviços”.


São Paulo, 07 de dezembro de 2023.

Jorge Wilson Simeira Jacob



domingo, 7 de janeiro de 2024

 Façam as suas apostas



Faz de conta que um grande evento estaria despertando os apostadores para arriscar um palpite de qual será o país no futuro de melhor crescimento da RPC ( renda per capita ) e redução da pobreza. As casas de apostas têm filas nas portas. O número de países  beira a duas centenas. Há deles nos cinco continentes. Mas dois em especial merecem a nossa atenção : a  Argentina  e o Brasil. 


A Argentina está no momento na UTI. Está debilitada e com perspectivas de uma cirurgia de grandes proporções.  As esperanças de recuperação são pequenas. O mal alastrou-se por todo o organismo e o paciente resiste ao tratamento. Ainda que o resultado da sua vida desregrada só tenha piorado a sua saúde, mesmo assim será difícil ter o apoio dos seus cidadãos para mudar de vida. Anos de indisciplina viciaram o organismo e fraquejaram a vontade. Há piquetes contra o tratamento. Os viciados não suportam abandonar o vício.


O Presidente Milei  domina a causa dos males e conhece a solução. Vai  além, enfrenta a tudo e a todos com valentia e criatividade. Mostra determinação de estancar a decadência argentina . Acredita que, superada a fase crítica e mais um tempo de adaptação, a Argentina voltará  disputar os primeiros lugares no ranking mundial da  RPC e redução dos atuais índices de 40% na pobreza.


O Brasil , no momento, está com a economia sob limitado controle ( viva a agricultura), mas, ainda que com doses moderadas, vem seguindo o método de vida que desgraçou a Argentina. Acreditam os nossos governantes no milagre de que  tudo se resolve com “vontade politica”  e que o “  tudo pelo social “ paga as contas. Mas não levam em conta que a RPC está estagnada há décadas, o que explica o atual nível de pobreza.



A Argentina caiu ao nível de estar de joelhos frente à comunidade das nações . A ponto de vir de pires nas mãos pedir a benção do vizinho brasileiro. Esgotou o crédito até com o FMI , que a tem como maior  devedora.  Está na UTI. Chegou lá depois de 70 anos de acreditar que o RPC depende, não do investimento, mas das políticas mágicas dos governos: emissão descontrolada da moeda e endividamento público. Cujo resultado  é a iminência de uma hiperinflação que trará como consequência uma convulsão social. Uma ditadura certamente será aceita para evitar o estado de anômia devido a  quebra da Lei e da Ordem. 


O pior dos males poderá ser evitado se o tratamento de choque proposto pelo Presidente Milei for levado às últimas consequências. A redução dos custos do governo , equilibrando o orçamento; a desburocratização, dando liberdade ao empreendedorismo; e a privatização que terá o efeito de redução dos prejuízos das estatais e a geração de caixa para reduzir o endividamento farão milagres. A Argentina em anos voltará ao pódio mundial , como já foi no passado, como uma das maiores RPC do mundo. Poderá não voltar a ser a campeã mundial, mas deixará de ser um pária entre as nações.


Já o Brasil segue a política contrária. Com a mentalidade da cigarra que “gasto é vida” , aumenta custos do governo, com pressão sobre o endividamento;  estimula a burocracia , desestimulando as empresas a gerar empregos; e retornando a estatização de empresas que geram prejuízos e são fonte de corrupção. A privatização livraria o tesouro dos prejuízos das estatais e recuperaria capital para abater os juros que comem a maior parte do orçamento.


A ser mantida a tendência dos dois competidores , Brasil e Argentina, se estivesse na fila de apostas eu jogaria as minhas fichas na Argentina. Certamente o capital internacional faria o mesmo. 


 Em que quem  o leitor apostaria?


São Paulo, 28 de dezembro de 2023

Jorge Wilson Simeira Jacob