terça-feira, 20 de outubro de 2020

 Meus Caros. 


Os brasileiros  bem intencionados, e são muitos, patinam em busca de propostas para tirar o Brasil das mãos dos socialistas, os mesmos que  arruinaram todos os países que governaram. Porém são poucos os que, em vez de apostar em indivíduos, entendem serem as  ideias que farão a diferença. Gramsci , pensando na conversão ( perversão ) do mundo foi um destes. Ele entendeu como ninguém a importância da cultura ( ideias, crenças e valores ) para modelar perenemente  uma nação. No seu livro Cadernos do Cárcere deu  lições apreendidas pelos socialistas, mas ignoradas pelos adversários desta ideologia. Uma exceção tem sido o trabalho do Instituto Liberal para fazer um contraponto ao proselitismo dos socialistas, populistas e demagogos em geral.


Sobre a visão estratégica de Gramsci muito escreveu-se, li muitas, mas impressionou-me sobremaneira a que transcrevo em seguida a este texto, autorizado pelo autor, o meu particular amigo Irapuan da Costa Junior. É uma análise sintética, sobretudo lúcida e eloquente, da evolução do socialismo desde Karl Marx, Lenin até Gramsci. Pela importância do texto entendi que deveria compartilha-lo, fui levado pelo impulso natural de indicar um bom filme, um livro... e tudo o que nos motiva.


Leiam o texto e certamente a sua visão de como transformar o Brasil nunca mais será a mesma.


Abraços


Jorge Wilson Simeira Jacob

20 de outubro de 2020.





Gramsci e a hegemonia esquerdista no Brasil

Jornal Opção - domingo 18 outubro 2020 *


 Por Irapuan Costa Junior 


Antonio Gramsci era o que se podia chamar de “estrategista do mal”, pois sua concepção de tomada do poder pelo partido comunista, chamada concepção hegemonista, era muito mais lúcida do que a concepção de Karl Marx, chamada “economicista”, e do que a concepção do russo Vladimir Lênin, chamada “mecanicista”. Gramsci era, no meu entender, o maior filósofo comunista até então, pois mostrara mais acertos do que Marx, Engels e Lênin ao formular uma teoria viável para o comunismo chegar ao poder.


Enquanto Marx afirmava que o comunismo ascenderia pela crise do capitalismo, com patrões cada vez mais ricos e operários cada vez mais pobres, até uma revolta proletária, e Lênin acreditava na tomada do poder pelas armas, coisas que não aconteceriam, Gramsci afirmava que a chegada ao poder teria que se dar por uma mudança profunda na cultura social, colocando em jogo as crenças e tradições existentes nas sociedades democráticas (capitalistas, dizia ele), desestabilizando essas sociedades, de modo a introduzir nelas uma nova cultura, ditada pelo partido comunista, permitindo que ele passasse a ser, pela opinião dominante (hegemonia) o novo dirigente social (novo bloco histórico), no lugar do governo burguês (antigo bloco histórico), com uma sociedade civil já conformada, agora dominada pela crença partidária comunista.

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Antonio Gramsci: filósofo italiano | Foto: Reprodução


Gramsci analisava que a tomada de poder dar-se-ia em três fases, uma econômico-corporativa, em que o partido comunista, travestido de democrático faria alianças com outros partidos e ocuparia os postos que pudesse em todas as esferas da sociedade (legislativo, judiciário, executivo, sindicatos, igreja, meio acadêmico, meio artístico, imprensa e etc.). Seguir-se-ia a fase hegemônica, em que deveria existir um intenso trabalho de doutrinação, usando os postos ocupados, para modificar moral e culturalmente a sociedade, desagregando a crença burguesa, fazendo que novos comportamentos e nova maneira de existir acabassem aceitos pela sociedade, de tal modo que, na terceira fase, a fase estatal, se desse uma tomada de poder pelo partido sem maiores reações dessa mesma sociedade.

Gramsci não falou do exercício do poder, uma vez conquistado, e tendo lançado no papel suas ideias nas décadas de 1920 e 1930, não poderia prever o fracasso econômico e político do comunismo, que de certa forma esteve presente em mais de quarenta países e em nenhum só conseguiu o sucesso prometido por seus profetas. Foi escorraçado em todos os lugares onde a sociedade se sentiu forte o bastante para expulsá-lo. Persiste numa Cuba miserável, numa Venezuela destroçada, numa Coreia do Norte faminta, no Vietnã e no Laos estagnados e numa China com economia inteiramente capitalista, embora politicamente seja comunista, e com mão de ferro.

O Brasil teve a infelicidade de ser um dos países onde os ensinamentos de Gramsci chegaram em primeiro lugar.

Suas obras foram traduzidas por intelectuais comunistas no exílio e publicadas no Brasil já em 1966, em pleno regime militar, pelo editor comunista Ênio Silveira (Editora Civilização Brasileira). Logo se difundiram pelos intelectuais clássicos da esquerda brasileira, que aqui permaneciam, ou que, exilados, voltariam na década de 1970.

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Como o regime militar brasileiro foi brando, o avanço das esquerdas, principalmente na mídia, nas universidades e na Igreja Católica, se deu já nas décadas de 1960, 1970 e 1980. Na década de 1990, com a coordenação do Foro de São Paulo e o governo Fernando Henrique, e na década seguinte, com os governos petistas, a ocupação se estendeu ao legislativo, ao executivo e ao judiciário, inclusive aos tribunais superiores.

Em 2013, quando proferida a palestra, na época do governo Dilma Rousseff, fui inquirido em que fase estávamos, no cronograma gramsciano. Disse que os comunistas (ou socialistas, seu eufemismo para se livrar do estigma stalinista) haviam chegado ao governo, mas não ao poder, mas que sem dúvida haviam superado a primeira fase e já estávamos em plena fase da hegemonia. Comprovava essa afirmação a penetração esquerdista na imprensa, na universidade e em outros setores da sociedade, onde os efeitos das ações gramcistas se faziam sentir cada vez mais perturbadoras.

Tudo aquilo que se acreditava ser bom, belo e verdadeiro em nossa sociedade tradicional estava sob ataque. A marginalidade seria considerada vítima da sociedade. O aparato policial, truculento e servidor das elites. A infância, sexualizada e confundida. A juventude inimputável, mesmo que cometesse os piores crimes. O encarceramento deveria ser minimizado e bandidos libertados. A religião, distorcida e ridicularizada, quando não pudesse ser ideologizada. A família tradicional, para os seguidores de Gramsci, teria que desaparecer.

Um deputado do PC do B chegou a propor projeto de lei considerando família qualquer associação de pessoas, inclusive as incestuosas. Pregava-se a liberação total das drogas, e a licenciosidade e pornografia nos espetáculos dito artísticos. A desobediência aos pais se institucionalizava, e as correções paterna e materna dos filhos eram todas criminalizadas. A educação dos filhos passava a ser responsabilidade do estado e sua instrução passava a ser predominantemente ideológica, não profissional, mormente nas faculdades. Em particular, como reflexo dessas ações, a Educação brasileira despencava, nos três níveis de ensino, o que teria reflexos graves no futuro. Como a sociedade brasileira na média era conservadora, eu previa (em 2013) que teríamos num horizonte não muito distante, embates sérios no campo político, não descartando incidentes mais graves. Estes felizmente não ocorreram, mas ocorreu uma reação social que elegeu um governo conservador, contra toda expectativa da esquerda, que já se julgava tocando o poder. E a esquerda ainda não absorveu essa derrota, tentou uma impugnação eleitoral não sucedida e utiliza a desinformação, uma das ferramentas mais poderosas de que dispõe, para contestá-la. Sem falar numa tentativa de assassinato do candidato conservador, na reta final de campanha, até hoje não perfeitamente esclarecida.

O aparelhamento da imprensa, da universidade, do meio artístico e até de franjas do judiciário tem funcionado como obstáculo para o governo no campo da ação e da opinião. As esquerdas só não conseguem uma desestabilidade do executivo por ter exagerado na dose, ocasionando uma percepção social de que fazem oposição a todo custo, inclusive no campo internacional. Mas os partidos de base marxista se apoiam no judiciário, de modo a criar embaraços na ação de governo, numa tentativa de engessar suas ações. Em exemplos recentes, o Presidente foi impedido de exercer ações de controle da pandemia do coronavírus, que por decisão judicial foram transferidas para estados e municípios, não pode exercer sua atribuição constitucional de nomear um auxiliar na Polícia Federal e se viu obrigado, na nomeação de reitor para universidade federal em lista tríplice, a escolher o primeiro colocado, como se a lista fosse uninominal.

Os “intelectuais orgânicos” de que fala Gramsci (qualquer ignorante, mas capaz de um pensamento ou ação que contribua para modificar a sociedade no sentido desejado pelas esquerdas) pululam por todo lado. Toda cultura tradicional está sob censura, seja no que diz respeito à composição familiar, seja na prática religiosa, seja na cultura artística, seja na educação infantil (onde já se quer até propor o ensino de práticas sexuais não ortodoxas) ou na educação universitária. Corrigir essas distorções vai demandar paciência e um enorme trabalho de reversão da deterioração educacional praticada nos últimos trinta anos. Chegaremos um dia à terceira fase gramsciana, a da tomada do poder total, como na Venezuela? Esperamos que não. Lutemos para que não.


No ano de 2013, convidado pela Associação dos Diplomados pela Escola Superior de Guerra (Adesg), proferi uma palestra sobre o filósofo comunista italiano Antônio Gramsci (1891-1937 — viveu 46 anos) e sua influência na política brasileira recente. Resumo da conferência para os leitores do Jornal Opção:


quarta-feira, 23 de setembro de 2020


A Primeira Pedra.



Jesus sai em defesa de Madalena e pergunta:

- quem nunca pecou que atire a primeira pedra?



Não há muito tempo, uma artista de filme pornô, ao ser entrevistada *, deu detalhes da sua atuação artística e do êxito econômico que lhe permitia usufruir do padrão de vida de classe média. Tinha casa própria, automóvel, poupança e filhos em escola particular. Uma narrativa  digna de admiração como êxito profissional. Depois da sua auto-louvação, como  sempre acontece, o jornalista  jogou  uma  casca de banana  com a última pergunta: 

  • não lhe causa constrangimento moral dedicar-se a filmes de sexo explícito? 
  • ( com sinais de irritação )  esse moralismo hipócrita só existe nas pessoas nascidas em berço de ouro, que nunca passaram fome junto com os  seus filhos. Quero ver se, em situação de penúria em que me encontrava , abandonada pelo marido, se elas resistiriam a oferta de encenar um filme pornô em troca de um cachê suficiente para sair da miséria. Só quem nunca viu um filho chorar de fome sem ter comida para dar; doente sem ter dinheiro para o tratamento... Só esses atiram a primeira pedra! Assumi a opção, não por luxúria, mas como auto-defesa, uma luta pela sobrevivência. Desconforto devem ter os que me criticam!


Porém, se na entrevistada ela conseguiu dar  racionalidade à  sua narrativa, perdeu a fala ao ser confrontada pelo entrevistador, pois tendo superado a miséria com a primeira experiência, ela não abandonou a atividade. Havia encenado muitos outros filmes, comprometendo, assim, a legitimidade da causa primeira.


Entender as razões dos seres humanos exige muito cuidado. Temos necessidades  de encontrar explicações  para nós mesmos nos fatos das nossas vidas. Não só para o nosso  conforto psicológico, mas também para uma satisfação social. Sem esquecer um  outro núcleo da sociedade que trabalha a narrativa para ganhos políticos. São os governantes  que, nas eleições prometem mundos e fundos, mas no cargo são pródigos em  bodes expiatórios, jogando sempre a culpa em outrem:  o presidente não envia os projetos; o congresso  não aprova as mudanças necessárias; a oposição  é contra tudo... menos derrubar o governo...                                                                        

Para  tudo existe uma justificativa, ignorando que não se delega responsabilidade.


Como a artista pornô ( nenhuma segunda intenção no exemplo ), os nossos eleitos alegam razões mil para não entregar o que moralmente prometeram. Têm limitações. Há interesses contrariados e a máquina governamental bloqueia o que não lhe interessa. Mas também perdem a fala e a pose quando confrontados com a realidade de nada fazer na área da sua jurisdição . No seu pedaço continua tudo como antes,  exatamente o que prometeram aos eleitores mudar : estrutura exagerada, burocratização crescente, ameaça de aumento da tributação e o gigantismo do governo.  Nada de cortar na própria carne, só na dos outros. Agora no poder, sem as penúrias de candidatos, não se sentem moralmente desconfortáveis e como  artistas de cinema  pornô , acham natural os filmes de impotência explícita que encenam. Moralmente constrangidos, entendem, devem ficar  os que atiram a primeira pedra.


  • entrevista baseada em fato real, mas reproduzida com liberdade.



As Minhas Reflexões.

Jorge Wilson Simeira Jacob

22 de setembro de 2020.


sexta-feira, 18 de setembro de 2020

 


Um Prefeito Cidadista.


O melhor governo é aquele que menos governa.

Henry David Thoreau,  autor da Desobediência Civil.



A confusão está generalizada. Não se dá o devido nome aos bois. Assim a comunicação fica difícil e o entendimento impossível. Não é por menos que os britânicos valorizam socialmente as pessoas  pelo bom uso do seu  idioma. Já nós somos despreocupados com a etimologia das palavras, no uso corrente não fazemos distinção entre:  estado e governo. Falamos: - em golpe de estado na troca do governo  Dilma pelo Temer; -  em estado mínimo quando o que se pretende é um  governo mínimo...


De Gaulle vivenciou na França as duas situações: - foi primeiro ministro, chefe de governo na Quarta República e presidente eleito, chefe de estado na Quinta República. No Brasil , desde a proclamação da república, só experimentamos o regime presidencialista*, que não distingue  as funções  de chefe de estado e de chefe de governo. Daí a confusão!


estado é a nação politicamente organizada em  instituições, leis e estruturas de governo. Aos  três poderes do governo cabe  a administração do país. Se o governo é transitório, o estado consubstanciado na Constituição pretende ser perene ( a dos Estados Unidas  é de 1787). O ideal é que o  estado tenha  uma matriz sólida, que assegure um governo mínimo - um governo que não governa, como queria Thoreau... que não governa  por não ser necessário ficar no cangote dos cidadãos limitando a sua liberdade.


Também contribui para poluir a comunicação a ação dos políticos que maliciosamente  se autoproclamam estadistas. Quando na prática só cuidam das eleições, que  são vencidas sempre  com propostas de mais governo e não de menos. Agrava mais o fato de que, depois das eleições, os eleitos. fazem política eleiçoeira em tempo integral,  deixando as ações administrativas nas mãos da burocracia, cujos interesses nem sempre coincidem com os da nação. Afinal, ninguém é de ferro, pois o castigo de não ser reeleito é ser condenado ao desemprego. O resultado é que  nem cuidam do estado e nem do governo para o que foram eleitos.


Estas reflexões  são oportunas tendo em conta a proximidade das eleições municipais em  São Paulo. Não faltam candidatos à prefeitura, mas  sobram vulgaridades, ideias erradas. Os candidatos caça-votos  acenam com as ofertas costumeiras, nada inovadoras, em um melancólico exercício de mais do mesmo.  Nenhuma menção à reformas estruturais para  enxugar a inchada e ineficiente  máquina administrativa desta cidade-estado**. 


Se quem cuida do país-estado é um estadista, a quem cuida da cidade-estado sugiro um neologismo - cidadista .  Dar o devido nome aos bois facilitará aos eleitores a identificação dos candidatos. Os problemas desta metrópole, sintetizados na baixa qualidade de vida da população, estão à espera, não de mais um caça-votos, mas de um prefeito cidadista.


               *.   A Quinta República francesa é um regime semi-presidencialista, o presidente tem poderes de chefe de        estado. 

  • * * No governo João Goulart houve um curto período parlamentarista com Tancredo Neves como 1* Ministro.
  • * **  São Paulo tem 155mil funcionários ( supostamente sem inclusão dos funcionários das autarquias e empresas de serviços). Se houver legitimidade de comparar a media de despesas dos países , O Brasil, cujos salários são inferiores,  gasta percentual muito alto   com funcionários públicos em relação ao PIB . A  comparação é eloquente: Brasil 13,3 ;,França 12,8; EUA 9,8; Alemanha 7,5; Japão 5,5%.

   Fonte: Eduardo Mesquita Kobayashi, advogado, mestre em Direito Comercial pela Universidade de Tóquio



As Minhas Reflexões.

Jorge Wilson Simeira Jacob

17 de setembro de 2020.

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sábado, 5 de setembro de 2020

A Aristocracia Monárquica.



Na luta pela sobrevivência os homens sempre usaram  de todos os recursos,  desde a força bruta até o mais desonesto jogo político. Nos primórdios, na disputa pelo poder, prevalecia  a lei do mais forte. A violência era uma constante e castigava a maioria - os fisicamente  mais fracos. Estes como reação , pelo uso  da inteligência, desenvolveram  como alternativa o  estado de direito, uma ordenação de princípios morais que pacificou  a convivência social.

Os ingleses, os mais bem sucedidos  colonizadores da história, administraram as  suas colônias  sob a ética do estado de direito e um  pequeno contigente de servidores. Uma  estrutura simples, um governo mínimo, mas suficiente para manter  submissa uma população imensa. A autoridade  emanava das leis,  da ordem, do respeito às tradições e ao direito à  sobrevivência.  Live and let  live , mais do que um slogan era um princípio ético. A força militar era um instrumento de dissuasão e de  reação à violência . Ainda hoje, como reminiscência , uma prova de tolerância ao contraditório, pode-se assistir nos parques londrinos os protestos contra o governo, que não só são permitidos como são protegidos pela polícia. 

Mahatma Gandhi libertou a Índia dos ingleses sem afrontar o estado de direito . Não provocou o exército britânico, que, em não havendo violência, por coerência não podia  tomar a iniciativa do uso das armas. Desafiou os dominadores com a legitimidade do anseio público à autodeterminação e à independência,  conseguindo com  civilidade que o direito prevalecesse sobre a força. Independência que os norte-americanos conseguiram pela força.

O Brasil , de há  muito,  também de forma pacífica, adotou teoricamente  a democracia republicana como regime político. Na prática, entretanto, o sonhado  ideal do governo do povo para o povo e pelo povo* , foi deturpado. Se somos uma democracia ( do povo ), pois na escolha dos governantes temos todos  os mesmos direitos, - cada cidadão é um voto, não somos  uma república ( para o povo ) tendo em conta que, como nas monarquias, estamos   divididos em duas classes: 
  • uma  oligarquia constituída  pela aristocracia e seus agregados, usufruindo de  regalias, cartórios e privilégios, à serviço de si mesma e não do povo que paga as contas, cujo poder  é exercido em nome de um populismo barato e não da ética - como os colonizadores ingleses. 
  • e uma massa de súditos , que é explorada e coercitivamente tolhida na sua liberdade, e aos quais ficam as migalhas da riqueza nacional, cujo resultado é  a indesejável desigualdade econômica e social. 

Entretempos, ficamos à espera de um Ghandi, que ( pelo povo )  restabeleça  a república, derrubando  a aristocracia monárquica que live but do not let live**. 

  • Discurso de Pettysburg , Abraham Lincoln 
          **. Vive mas não deixa viver.

As Minhas Reflexões.
Jorge Wilson Simeira Jacob        
05 de setembro de 2020.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Uma Andorinha Só Não Faz Verão.

A teoria se  baseia na reflexão sobre fatos ou ideias , reais ou hipotéticos, para estabelecer uma regra  que oriente as pessoas na análise de situações.
A Intuição, segundo Jung - seria uma forma de processar as informações em termos de experiencia passada, objetivos futuros e processos inconscientes. Pessoas intuitivas dão significado às percepções com grande rapidez, sem separar suas interpretações dos dados sensoriais, relacionando automaticamente a experiência passada, a imediata e a futura.

Na vida, com muita frequência, temos que tomar decisões sem ter todos os dados do problema e sem dispor de conhecimento teórico para facilitar uma conclusão. Neste desafio sobressai-se a capacidade de intuir... a mente intuitiva. A teoria pode ser aprendida, a intuição vem com a vivência e com características de personalidade - é um sexto sentido.

À abstração é preferível a análise de um caso  para  mostrar como na prática estas condições influenciam  os resultados de uma decisão. Tomemos como exemplo o desafio de escolher, entre muitos candidatos, o melhor indicado à presidente de uma instituição financeira. Depois do descarte de inúmeros  curriculum vitae ( CV ), como de praxe, restaram dois candidatos. Um deles, um homem de sólida formação  intelectual, personalidade de prestigio internacional, erudito, poliglota, escritor e orador respeitado, economista, político  com circulação no meio governamental e empresarial. Considerado uma das mentes mais lúcidas deste país. Um teórico, sem dúvida alguma.

O outro, sem nenhum verniz teórico, de origem modesta, criado no campo, foi funcionário de pequena empresa e gerente regional de um pequeno banco. Um homem de hábitos simples, um calvinista espartano. Apresentava-se como  um   administrador  de soluções práticas baseadas na experiência e na intuição. Um administrador intuitivo. Refutava as  estruturas financeiras sofisticadas com o argumento de não fazer o que estava acima do seu conhecimento.

Se tivesse de escolher, diante dessas duas alternativas, qual dos dois candidatos você escolheria? 

Felizmente, para benefício desta tese, por permitir uma comparação prática, os dois foram contratados para instituições diferentes. O teórico assumiu a presidência do Banco União Comercial, um dos maiores  do Brasil na época, que terminou mal,  sofrendo  intervenção do Banco Central, que o transferiu ao Banco Itaú. O outro, o intuitivo, assumiu um pequeno banco interiorano e fez dele a mais bem sucedida entidade financeira do país - o Bradesco.

Este artigo, como reflexão, tenta mostrar que a teoria é um recurso valioso, mas insuficiente para determinar resultados. É um  alerta diante da atual tendência  de supervalorização da formação teórica, acadêmica. Ninguém aprende a nadar sem entrar na água, por mais teoria da natação que conheça. A  teoria pode, se não adequada às situações, tornar-se  uma camisa de força ao bitolar o processo decisório. Decisões teóricas aplicadas,  sem visão prática e adequada às circunstâncias, podem ter efeitos indesejados. A teoria e  a intuição como uma  andorinha só não faz verão.

Nota - estas reflexões foram provocadas pelo meu neto Marcelo, que veementemente nega ter tido ajuda significativa  da sua formação teórica para o seu êxito como empresário.

As Minhas Reflexões.
Jorge Wilson Simeira Jacob
31 de agosto de 2020

sábado, 25 de julho de 2020

Um Cavalo De Picadeiro.


O  relato que se segue é um retrato da vida como ela é. Os fatos mencionados nele são observações, nem pessimistas e nem otimistas, mas a realidade  nua e crua...sem fantasias. Portanto, as  semelhanças com situações conhecidas nada mais são do que uma comprovação da sua existência. Vamos aos fatos!

Em uma escola de equitação, um velho cavalo passa o dia girando em círculo no redondel para  treino de principiantes na arte de cavalgar. São os conhecidos  cavalos de picadeiro. Cavaleiro novo, montaria velha! ensinam os mestres. Não é o cavaleiro que comanda a marcha, mas o animal. A inexperiência do aprendiz é superada pela  domesticidade da montaria, que, experiente,  corrige os erros dos principiantes.

Corisco é um desses cavalos. Quem o vê, alquebrado pelos anos, prestando-se a uma missão sem reconhecimento, não imagina a sua história. Nos seus bons tempos, era um belo exemplar da espécie pelo porte e beleza,  destacando-se  entre os melhores. Ele era um campeão, invencível, nunca perdia uma corrida entre os seus pares. Acumulava taças e prêmios valiosos. Era motivo de admiração e inveja no meio equestre. Porém, com o passar do tempo, na medida em que foi envelhecendo,  perdendo o vigor e a agilidade, deixou as competições e foi destinado a um campo de monta como reprodutor. O seu pedigree valorizava as suas crias, o que provocava grande interesse dos criadores. Assim,  fêmeas alinhadas faziam filas para serem fecundadas por ele. Elas, enquanto aguardavam a sua vez, ficavam em companhia de um animal castrado, que no papel de rufião as preparava  para a prenha. Poupava-se assim o tempo e o gasto de energia do garanhão. Função que durou enquanto Corisco manteve a virilidade, sendo na sequência castrado e destinado a ser um rufião de fêmeas para um outro que o substituiu. Ficando relegado à uma  posição secundária no processo de reprodução para finalmente ser condenado a uma escola para iniciantes.

Em uma outra escola, corre em paralelo a história de muitos cavalos de picadeiros -  uma que adestra os seres humanos para a vida. Nela  os iniciantes aprendem nos ombros de um corisco humano qualquer, e,  sem dar-lhes a mínima importância, os ignoram  quando realizam os seus sonhos de grandeza,  de conquistas e  de criadores  de  novas vidas ... para finalmente , como um modesto Corisco, descobrirem-se retornando ao princípio -  onde começaram como aprendizes  e onde  terminam  como um cavalo de picadeiro.



As Minhas Reflexões.
Jorge Wilson Simeira Jacob
25 de Julho de 2020.



quarta-feira, 8 de julho de 2020

 A Sua Cruz.

A vida corria tranquila. Cristo, ressuscitado, usufruía da paz celestial. Estava Ele , com olhar distante, rememorando a sua experiência terrestre, quando surge São Pedro, carregando a sua cruz, com ar desanimado. Pego de surpresa, Jesus pergunta:
  • O que aconteceu, Pedro? Você está com um ar de tristeza... 
  • Ah Jesus! Há tempos venho sofrendo calado. Sei que todos têm uma cruz para carregar; e que a vida não consiste só de  venturas, mas não concordo ter de arrastar a cruz mais pesada, mais rústica, mais comprida de todas... Uma peça desconfortável, que nem ao menos  tem meu nome aparente para dar-me prestígio. Tenho o maior dos sacrifícios e nenhum reconhecimento público. Considero a minha pena uma injustiça totalmente em desacordo com a sua pregação na Terra aos homens de boa vontade.                       
  • Pedro, sinto muito! Minha intenção foi premia-lo com a melhor de todas a serem distribuídas. Eu também tenho a minha, o que me torna sensível às reclamações. Vamos corrigir o erro! Agora é hora do almoço. Todos  deixaram as suas cruzes naquele monte. Escolha a que mais lhe agradar. Tenha  cuidado, pois a variedade é enorme!                      
Passaram-se dias. Jesus já tinha se esquecido do caso, quando vê Pedro passando feliz da vida com a sua cruz. Pedro! Chama Jesus:
  • Vejo você radiante, com um ar vitorioso, o que aconteceu?
  • Ah! Agora sim. Tive que experimentar todas as cruzes do mundo, mas valeu a pena! Achei uma sob medida para mim. Esta é muito confortável!
Com ar carinhoso, paternal, Cristo diz:
  • Pedro, ora Pedro! você não trocou...essa é a mesma cruz que Eu  lhe dei!
  • É verdade. ( envergonhado) Descobri na comparação o  valor dela. Foi preciso experimentar as cruzes dos outros para saber o quanto  eu era feliz.
  • É sempre assim, Pedro! Sempre achamos que a nossa cruz é a pior de todas. Na verdade, Eu dou a cada um uma cruz sob medida, mas  muitos reclamam. Só quando experimentam a dos outros é que dão valor à que tem e  descobrem  os méritos de quem as carrega. Na vida, a felicidade está na sabedoria de aceitar a sua cruz.


As Minhas Reflexões.
Jorge Wilson Simeira Jacob
07.07.2020