sábado, 13 de dezembro de 2025

 O inferno em vida!

Não está na Bíblia, mas se estivesse, ninguém duvidaria.

Trata-se de uma narrativa irônica da criação do mundo.


Conta-se que, ao distribuir equitativamente os bens entre as regiões da Terra, Deus — sempre justo — decidiu permitir o contraditório. E, para isso, ninguém melhor do que Satanás.


Convocado, o diabo aceitou na hora, impondo apenas uma regra: para cada dádiva generosa oferecida pelo Criador, ele apresentaria uma contraproposta destrutiva. Venceria o jogo aquele que conseguisse propor algo impossível de ser superado pelo adversário.


Deus começou:

— Darei aos países árabes o petróleo.

Satanás rebateu:

— Então eu lhes dou o deserto.


Deus seguiu:

— Aos ingleses darei civilidade.

O capeta sorriu:

— E eu compenso com a pior culinária do mundo.


E assim o duelo prosseguiu por horas.


Cansado, Deus resolveu encerrar com um xeque-mate:

— Ao Brasil eu darei o mais rico subsolo, um território vasto, fértil e acessível; um clima ameno, livre de furacões, terremotos e tsunamis. E, acima de tudo, um povo cordial, alegre e sociável.


Satanás se inflamou:

— Como pode um Deus justo dar tanto a um só país? Por que aos outros faltam água, sobram revoluções, calamidades — e ao Brasil, nada disso?


O Criador caiu na gargalhada. Estava certo de que o diabo não teria uma maldade capaz de  superar tamanha generosidade. Sentiu-se triunfante: só um Deus verdadeiramente brasileiro pensaria assim.


Mas Satanás não se intimidou.

— Agora, sim, meu xeque-mate: darei ao Brasil o pior que pode acontecer a um povo.


E mostrou ao Criador o quadro dos políticos que propunha para governar o país.


O riso divino cessou.

— Assim não. Nunca imaginei proposta tão cruel. Você venceu. Tudo o que eu dei aos brasileiros é pouco diante dessa infelicidade!  Isso, sim, é o inferno em vida!


E assim Satanás foi consagrado o patrono dos nossos políticos.

São Paulo, 08 de dezembro de 2025.

Jorge Wilson Simeira Jacob



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