sábado, 20 de dezembro de 2025


Boas-vindas ao Ano Novo



As despedidas sempre carregam um sopro de melancolia. Quando alguém querido parte, sentimos na alma o peso da ausência anunciada — uma vontade secreta de que o tempo pare, como se isso pudesse nos poupar do porvir.


Nossas despedidas não se limitam às pessoas e coisas: despedimo-nos também do tempo que passa — esse tempo que nos leva algumas graças da juventude e, em troca, nos oferece a lucidez amadurecida da experiência.


O que vivemos, quando luminoso, deixa em nós o desejo íntimo de repetição; quando sombrio, reacende silenciosamente a esperança de um amanhã mais leve.


Assim chegamos ao fim de mais um ano — esse rio que correu entre águas serenas e contracorrentes. O último dia ergue-se como um portal simbólico: de um lado, o que desejamos esquecer; de outro, aquilo que ousamos sonhar.


A natureza — para uns — ou Deus — para outros — plantou em nós o instinto da sobrevivência. E a esperança é a seiva que nos mantém eretos diante do imprevisível.


Sem ela, a existência seria insuportável. Os irracionais vivem do instante; nós, porém, precisamos de memória e de horizonte, pois só assim o viver se converte em sentido.


Viver é travar batalhas contínuas numa guerra cuja lógica raramente se revela. Somos feitos de vitórias que nos animam e quedas que nos disciplinam. E, após cada queda, algo em nós insiste em se reerguer — essa centelha obstinada que chamamos esperança.


O Natal, com seu brilho antigo, convida-nos a libertar o melhor de nossos afetos: a ternura, a caridade, a fraternidade — formas puras do amor ao próximo.


E, no limiar de um novo ano, desejo a todos uma esperança que se renove, e que seus sonhos mais altos encontrem caminho para acontecer.


Agradeço, com gratidão serena, a generosidade dos meus leitores — por perdoarem meus equívocos e confiarem na honestidade das minhas impressões: jamais perfeitas, sempre sinceras. E ao  Jornal Opção a honra de, por seis anos,  com absoluta liberdade, fazer parte dos seus formadores de opinião. 


Que a felicidade, discreta ou radiante, habite cada um de vocês em todos os dias que virão a partir do novo ano.

Com toda a força das nossas esperanças,  damos as boas vindas ao Ano Novo!


São Paulo, 12 de dezembro de 2025.

Jorge Wilson Simeira Jacob


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