sábado, 6 de dezembro de 2025

  



O andar de cima

Como se tivesse descoberto a pólvora, o governo anuncia, eufórico, o fim das desigualdades econômicas. Segundo a narrativa oficial, é um absurdo que trabalhadores paguem mais impostos do que os ricos. A solução “genial” seria taxar o andar de cima — termo pejorativo para designar os mais abastados — em benefício do andar de baixo, os pobres.


Ninguém dotado de um mínimo senso de justiça pode defender uma desigualdade tributária caso ela correspondesse à realidade. O problema é que essa comparação restringe-se apenas ao imposto sobre salários e dividendos. Não considera a carga de outras contribuições que incidem mais pesadamente sobre os que possuem patrimônio.


Do mesmo modo, ninguém com um mínimo de solidariedade consegue permanecer indiferente ao enorme contingente de brasileiros vivendo na pobreza. Além de entristecer, essa miséria cria um ambiente inseguro: é difícil manter a convivência pacífica quando se está cercado de pessoas carentes.


A fome dói — e a fome de um filho revolta. É essa revolta que torna tantos desamparados presa fácil de populistas que prosperam politicamente na existência da pobreza. Como não pretendem, nem têm competência para eliminar a miséria, desviam o foco da discussão: atribuem todos os males à desigualdade e semeiam o ressentimento. Inveja, afinal, é colheita certa de votos.


Nos países ricos, onde a desigualdade também existe, as classes menos favorecidas possuem condições de vida decentes. Em vez de invejar o rico, enxergam nele um modelo a ser alcançado. Assim, a sociedade inteira se mobiliza num mutirão silencioso para enriquecer — e o resultado coletivo é o aumento da riqueza nacional.


A ideia de taxar fortemente a riqueza não é nova. Foi tentada em vários países ( França, Dinamarca, Holanda ) e, sem exceção, todas as experiências fracassaram. Acabaram revogadas após a fuga de investidores e capitais. Mesmo assim, não faltam políticos “brilhantes” para redescobrir a pólvora.


No último dia 30 de novembro, os suíços rejeitaram de forma esmagadora — 78% dos votos — uma proposta de imposto sobre a riqueza, apresentada pelos social-democratas. Os críticos alertavam que a medida poderia provocar a saída de pessoas ricas, reduzindo a arrecadação. O próprio governo recomendou sua rejeição, lembrando que o país vive da estabilidade e da previsibilidade que oferece a quem investe e aloja seu patrimônio ali.


Frédéric Rochat, sócio do banco privado Lombard Odier, resumiu o resultado: prevaleceu o bom senso. Os suíços sabem que, mesmo sendo uma das nações mais prósperas do mundo, não podem abrir mão das fortunas que ajudam a sustentar seu padrão de vida. 


A lição é evidente: o dinheiro vai para onde é respeitado. E a história mostra que, onde se decide sobretaxar as fortunas, os andares de cima invariavelmente ficam vazios. Em um edificio só com andares de baixo a desigualdade fica menor, mas aumenta a pobreza.

São Paulo, 02 de dezembro de 2025

Jorge Wilson Simeira Jacob


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