domingo, 16 de junho de 2024

 Small is Beautiful.


A humanidade sempre sofre  com alguns fantasmas, são  demônios  que nos atormentam, os atuais são : uma guerra nuclear, a degradação ecológica, a corrupção moral e o  decréscimo  populacional


Todas as épocas da história tiveram os seus fantasmas. Alguns tiveram os seus exorcistas, outros não .Os homens têm  sido vítimas dos profetas de desgraças . Um que alcançou grande notoriedade foi Malthus. Ele previa   insuficiência de  alimentos pelo crescente  desequilíbrio entre uma   população crescendo em escala geométrica  e uma produção em escala aritmética . O mundo estaria, segundo ele, caminhando para a fome generalizada.



Outro foi Nostradomus, que teria previsto vários eventos importantes no mundo. Entre eles estão a Revolução Francesa, a 1ª Guerra Mundial, a criação da bomba atômica e as mortes da princesa Diana e do presidente dos EUA John Kennedy. 


O malthusianismo foi exorcizado  pelo aumento da produtividade no setor agropecuária . A fome existente hoje no mundo, ao contrario do que acontecia na idade  media, não se deve a escassez de alimentos , mas do baixo poder aquisitivo de uma importante parcela da população.


Já os dirigentes do partido comunista chinês , há  décadas  ,  assustados com o fantasma de uma superpopulação impuseram  um desumano controle sobre a natalidade. Temiam os comunistas uma ruptura do sistema político e econômico pelo excesso de chineses. 


 Hoje, o mesmo partido , que se arrogava ao direito de violentar a liberdade individual, oferece estímulos financeiros para aumentar os nascimentos. Fracassou o pretendido controle demográfico.


O fantasma da super população foi exorcizado com a decisão espontânea das mulheres de , por razões ponderáveis , não desejarem  ter filhos. O fantasma mudou de roupa, agora ameaça com o  ônus   de uma população de anciões.


Com o desenvolvimento da  bomba atómica , o fantasma era proliferação das armas nucleares, que poderiam  cair no   domínio de governos inconsequentes. Hoje o Irã , um estado teocrático , dirigido por fanáticos , está próximo de ter a sua bomba; a Correia do Norte vive de chantagear o mundo com uma ameaça  nuclear; a China já  é de todas a maior das ameaças, sem esquecer da Rússia .  Esta guerra é um fantasma  que ainda não foi exorcizado. Uma conflagração com armas nucleares, em escala mundial , poderia ser o Apocalipse.


Outro fantasma que assusta milhões é o desequilíbrio ecológico . Alguns fenômenos naturais como o derretimento da calota polar, a elevação da temperatura, as chuvas torrenciais são   dados usados para mostrar o risco que corre a humanidade, se não cuidar da natureza. 



Houve épocas da historia que também tiveram alterações ecológicas , à qual a natureza e a humanidade adaptaram-se. Estaríamos vivendo outra destas fases? Se sim, seria mais um medo alimentado pelos profetas de fantasmas.


Não só  com fatos concretos que os demônios nos assustam. O fantasma da crise moral em que estamos mergulhando é sem dúvida um grande desafio. Ela é consequência da perda de identidade dos indivíduos. O ser humano virou um número , perdeu a personalidade,  e sendo ninguém tudo lhe é permitido. 


A concentração o populacional em grandes aglomerados, dezenas de milhares de habitantes em uma cidade e arredores, diluiu o efeito de contenção ao crime e  à imoralidade . Nos pequenos povoados há uma coerção social. Todos se conhecem e esperam ser considerados. Além de ser mais fácil identificar um infrator e puni-lo. A modernidade, com a versão materialista , em que a ciência substituiu as religiões fez com que tudo seja permitido e nada seja pecado.


Em busca de exorcizar os fantasmas que ainda nos atormentam levantaria a hipótese de se apostar na volta às origens. Um mundo menor. O que passaria com aceitar que seria o decréscimo populacional ( um dos atuais fantasmas ) ,   que exorcizaria todos os demais. Como dizem os gringos — smal is beautiful.



São Paulo, 05 de maio de 2024.

Jorge Wilson Simeira Jacob







Small is Beautiful.


A humanidade sempre sofre  com alguns fantasmas, são  demônios  que nos atormentam, os atuais são : uma guerra nuclear, a degradação ecológica, a corrupção moral e o  decréscimo  populacional


Todas as épocas da história tiveram os seus fantasmas. Alguns tiveram os seus exorcistas, outros não .Os homens têm  sido vítimas dos profetas de desgraças . Um que alcançou grande notoriedade foi Malthus. Ele previa   insuficiência de  alimentos pelo crescente  desequilíbrio entre uma   população crescendo em escala geométrica  e uma produção em escala aritmética . O mundo estaria, segundo ele, caminhando para a fome generalizada.



Outro foi Nostradomus, que teria previsto vários eventos importantes no mundo. Entre eles estão a Revolução Francesa, a 1ª Guerra Mundial, a criação da bomba atômica e as mortes da princesa Diana e do presidente dos EUA John Kennedy. 


O malthusianismo foi exorcizado  pelo aumento da produtividade no setor agropecuária . A fome existente hoje no mundo, ao contrario do que acontecia na idade  media, não se deve a escassez de alimentos , mas do baixo poder aquisitivo de uma importante parcela da população.


Já os dirigentes do partido comunista chinês , há  décadas  ,  assustados com o fantasma de uma superpopulação impuseram  um desumano controle sobre a natalidade. Temiam os comunistas uma ruptura do sistema político e econômico pelo excesso de chineses. 


 Hoje, o mesmo partido , que se arrogava ao direito de violentar a liberdade individual, oferece estímulos financeiros para aumentar os nascimentos. Fracassou o pretendido controle demográfico.


O fantasma da super população foi exorcizado com a decisão espontânea das mulheres de , por razões ponderáveis , não desejarem  ter filhos. O fantasma mudou de roupa, agora ameaça com o  ônus   de uma população de anciões.


Com o desenvolvimento da  bomba atómica , o fantasma era proliferação das armas nucleares, que poderiam  cair no   domínio de governos inconsequentes. Hoje o Irã , um estado teocrático , dirigido por fanáticos , está próximo de ter a sua bomba; a Correia do Norte vive de chantagear o mundo com uma ameaça  nuclear; a China já  é de todas a maior das ameaças, sem esquecer da Rússia .  Esta guerra é um fantasma  que ainda não foi exorcizado. Uma conflagração com armas nucleares, em escala mundial , poderia ser o Apocalipse.


Outro fantasma que assusta milhões é o desequilíbrio ecológico . Alguns fenômenos naturais como o derretimento da calota polar, a elevação da temperatura, as chuvas torrenciais são   dados usados para mostrar o risco que corre a humanidade, se não cuidar da natureza. 



Houve épocas da historia que também tiveram alterações ecológicas , à qual a natureza e a humanidade adaptaram-se. Estaríamos vivendo outra destas fases? Se sim, seria mais um medo alimentado pelos profetas de fantasmas.


Não só  com fatos concretos que os demônios nos assustam. O fantasma da crise moral em que estamos mergulhando é sem dúvida um grande desafio. Ela é consequência da perda de identidade dos indivíduos. O ser humano virou um número , perdeu a personalidade,  e sendo ninguém tudo lhe é permitido. 


A concentração o populacional em grandes aglomerados, dezenas de milhares de habitantes em uma cidade e arredores, diluiu o efeito de contenção ao crime e  à imoralidade . Nos pequenos povoados há uma coerção social. Todos se conhecem e esperam ser considerados. Além de ser mais fácil identificar um infrator e puni-lo. A modernidade, com a versão materialista , em que a ciência substituiu as religiões fez com que tudo seja permitido e nada seja pecado.


Em busca de exorcizar os fantasmas que ainda nos atormentam levantaria a hipótese de se apostar na volta às origens. Um mundo menor. O que passaria com aceitar que seria o decréscimo populacional ( um dos atuais fantasmas ) ,   que exorcizaria todos os demais. Como dizem os gringos — smal is beautiful.



São Paulo, 05 de maio de 2024.

Jorge Wilson Simeira Jacob










domingo, 9 de junho de 2024

 Alerta vermelho


Quem leu o Código da Vinci e gostou, vai também encantar-se com o livro o Alerta Vermelho. Enquanto o primeiro é uma ficção policial, o segundo é uma realidade com todas as tramas de um texto de ficção. É uma história real contada com tal maestria como são as obras de todo escritor muito talentoso .


O livro o Alerta Vermelho ( Amazon, Bill Browder,  $52,43,  398 pg ) conta a trajetória do fundador do Fundo Hermitage, que foi o maior investidor nas privatizações da Rússia. 


 Neste enredo, Browder abre as entranhas do corrupto governo Putin. É daqueles textos grudentos. Colam o leitor não o deixando interromper a leitura de tão interessante que é.


Não falta no enredo nada. O corrupto jogo político que existe na Rússia, a falta de segurança jurídica existente, a fragilidade do cidadão ( melhor dizendo, servos )  perante os órgãos públicos , a manipulação desonesta dos oligarcas ligados  ao governo… até a vida amorosa do Bill e as suas duas esposas. Casou-se duas vezes.


O autor , no subtítulo, qualifica-se  como o inimigo  número um de Putin. E este livro é um instrumento de sua luta. Ignorar este texto é desconhecer a história dos primeiros anos do capitalismo russo e a negativa cultura que ficou após o  final do comunismo com a queda do Muro de Berlin. 


A Rússia saiu do comunismo, mas não dos males de uma sociedade viciada na vida burocratizada  e corrupta levadas ao extremo . O comunismo educou o homem russo para o jogo político , o aproveitar-se sem escrúpulos das oportunidades e o absoluto desrespeito ao mérito. A corrupção fincou-se  na cultura do povo. O assassinato dos inimigos , comum no  comunismo, tornou-se uma pratica corrente.


Como herança cruel, o  comunismo sedimentou  a impotência do indivíduo frente ao autoritarismo do governo. Um capítulo que aborda a sina de um modesto advogado, Sergei Magnitsky , acusado injustamente e que foi torturado até a morte sem ter tido direito à defesa é um dos exemplos.  Na Rússia as leis não protegem os cidadãos, mas são usadas para atender aos desígnios dos poderosos.


Bill Browder, o autor e principal personagem do romance,  foi um empresário americano bem sucedido, mas a custa de muitos sacrifícios. Os seus fabulosos resultados foram fruto da sua competência, mas sobretudo de uma determinação de vencer custasse o que custasse. Suportou revezes em uma trajetória de alto risco e tensão que poucos suportariam.


O Alerta Vermelho é uma história real romanceada de forma elegante e coerente. Tudo se encaixa bem no propósito do autor de pôr às claras os horrores da ditadura russa para servir como escudo de defesa à sua segurança pessoal. Segundo ele é preciso denunciar para , se alguma coisa acontecer comigo, todos saberão identificar o responsável— Putin.


Os exemplos das execuções de aqueles que contrariam o sistema são escancaradas. O escândalo do roubo ao tesouro de 230 milhões de dólares , denunciado por Browder foi motivo da perseguição que sofreu. O que o forçou a fugir de Moscou para Londres.


Lutador incansável,  o autor conseguiu do Congresso americano uma lei para impedir o ingresso nos Estados Unidos dos torturadores e corruptos russos como resposta à morte de Sergei — a quem dedicou o livro com a seguinte mensagem : “ Para Sergei Magnitsky, o homem mais corajoso que já conheci”. 



Não será surpresa se este seja o enredo de uma série de filmes de um dos streamings . O livro tem todos os ingredientes para justificar um bom espetáculo. 



Diz Bill Brawder em um trecho do livro: — “ Qualquer um que já leu Tchekhov, Gogol ou Dostoiévski, sabe bem … que histórias russas não têm final feliz. Os russos conhecem bem a dificuldade , o sofrimento e o desespero, mas não o sucesso e certamente não a justiça “.


São Paulo, 26 de maio de 2024

Jorge Wilson Simeira Jacob


domingo, 2 de junho de 2024

 Ritos de passagem


Passamos pela vida como se tivéssemos os olhos semi-fechados. Não vemos com clareza a maior parte do que acontece sob as nossas vistas.  Vivenciamos no dia a dia situações  ignorando o seu significado. Entre tantos, os  dois maiores eventos da nossa existência —  o nascimento e a morte não são devidamente avaliados. Uma miríade de outros  preenchem a nossa vida sem termos consciência dos seus significados e repercussões. O sexo, mãe da vida e de prazeres, está entre as muitas causas que são encaradas pelo povo de forma diversa dependendo da época e cultura.


A antropologia, ciência recente, pretende explicar as causas das cousas nossas. Não só explicar, mas principalmente abrir de todo os nossos olhos. Isto é o que conseguiu fazer Arnold Van Gennep no seu clássico livro Os Ritos De Passagem ( editora Vozes, 4* edição, $ 54,23, 164 pg ). No texto, o autor aborda os ritos e introduz pela primeira vez no campo da Antropologia Social o ritual e os mecanismos básicos como um objeto de estudo relevante.


A vida é rica em momentos de transformação o que Van Gennep didaticamente  batizou de passagens. Todos os eventos sociais marcam passagens. Em umas a comemoração pela mudança é festiva — o casamento por exemplo; em outros é de acomodação — o luto. Todas cumprem a função de nós ajudar a compreender e nos ajustar a  uma nova realidade.


Surpreende no livro, muito baseado em estudos de  sociedades primitivas, como  as passagens são variadas e diversas. O sexo, como não poderia deixar de ser, é encarado de tantas maneiras que surpreendem. A virgindade, a promiscuidade, a abstenção sexual ou o seu uso não é uma constante. Varia de cultura a cultura.


Não só as sociedade primitivas têm os seus ritos — e elas os têm em quantidade, mas também as desenvolvidas têm o seus. Quer sejam da vida pessoal, do social, do político e muito em especial do religioso.


Portanto, todas as atividades humanas têm ritos de passagem. Elas estão impregnadas na política, nas religiões, na vida em geral. Comemora-se feitos nacionais, como também datas religiosas. De todas as passagens a que melhor serviço presta ao psicológico das pessoas é o luto. As roupas pretas, as cerimonias religiosas, a reclusão…são instrumentos que ajudam a adaptação à nova realidade.


Conhecer o texto de Van Gennep é fundamental, pois com frequência somos confrontados com exemplos de “ passagens” e é necessário saber do que se trata. Não faltam comemorações a marcar eventos em nossas vidas que não façam parte de um rito de passagem , como ideia desenvolvida pelo autor.



Van Gennep é considerado entre os grandes autores que marcaram os estudos antropológicos. Nasceu na Alemanha, filho de mãe francesa, em 1873. Estudou em Lyon filosofia e matemática. Morreu na França em 1957. O seu livro mais importante, o que o fez notável, foi Les Rites de Passage — motivo desta resenha.



São Paulo, 22 de maio de 2024

Jorge Wilson Simeira Jacob


domingo, 26 de maio de 2024

 Cidadãos  de segunda classe.


Como dizia o filósofo  inglês Herbert Spencer "A liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro", ou seja, a pessoa tem liberdade de fazer o que quiser da própria vida e até  opinar na vida do outro indivíduo, desde que tenha o respeito. Não exercer este direito é classificar-se como cidadão de segunda classe.


As leis existem para defesa do direito à  liberdade de cada um. Ela deve nos defender do possível abuso dos governos e dos outros cidadãos. 


Temos necessidade de ter leis. São elas que nos asseguram o direito à propriedade e à   própria existência. Só em um estado juridicamente organizado e regido de acordo com as leis a segurança  individual está assegurada.


É o governo que determina quem   pode dirigir carros ou pilotar aviões por ser a prática destas ações uma ameaça  a terceiros. Um profissional liberal, médico por exemplo, deve possuir um atestado de capacitação para evitar que trapaceiros prejudiquem pessoas desinformadas.


Entretanto, os governos vão além e ferem a liberdade individual ao exigir receita médica para venda de medicamentos. Um medicamento contra indicado só afeta o próprio consumidor e ninguém mais. Por que então submeter o cidadão a ter que “ comprar “ de um médico uma prescrição ?


Essa é uma exigência, como tantas outras, que embutem ônus desnecessários. Serve bem para justificar a existência de empregos nos órgãos controladores e dar um poder aos médicos, que fidelizam o cliente. Em contrapartida burocratiza a vida do cidadão  comum. É um desrespeito a   liberdade do indivíduo.


Se houvesse uma limpeza de todas as desnecessárias restrições existentes, a vida seria mais fácil e menos onerosa. Infelizmente, é da natureza humana impor pontos de vista  autoritários . O burocrata não dá um voto de confiança  na capacidade de discernimento dos indivíduos. Somos todos tratados como imbecis por governantes  que pretendem reformar o mundo.


Há , porém, um território a merecer controle . Só aqueles que protegem terceiros.Podemos  discutir a existência de algum tipo de controle nos casos dos traficantes de  drogas, de vendedores de  armas de fogo e de líderes de partidos  racistas. Mas deveriam focar os traficantes, os bandidos e os partidos políticos, por serem propagadores do mal e não os seus usuários.


O governo é um mal necessário, portanto, deve ser limitado. O bom governo é o que menos governa. É aquele que se atem ao estritamente necessário . Este é aquele que respeita a maturidade do cidadão . É o que se preocupa com a sua dignidade. 


Um indivíduo consciente, ao se deparar com as inúmeras regras que condicionam o dia a dia das suas vidas, tem a exata sensação de ser tratado como um idiota. O que o governo tem a ver com os remédios que acredito que fazem bem para querer  controlá-los ? O que tem a ver se eu me sinto seguro tendo uma arma de fogo para defender-me? O que o governo tem a ver com os meus preconceitos se não discrimino ninguém ?


Se um indivíduo pode escolher com o seu voto os governantes do país, ele deve poder decidir o que é melhor para a sua vida desde que não prejudique os outros. 


Nas eleições que os cidadãos se auto classificam. Os que necessitam da tutela do governo (os cidadãos de segunda classe )  e os homens livres ( a elite ). Votar em propostas intervencionistas em nossa conduta sócio-econômica é  autodefinir-se como cidadão de segunda classe. A elite repudia a tutela governamental.


São Paulo, 13 de maio de 2024.

Jorge Wilson Simeira Jacob




domingo, 19 de maio de 2024

 Crê ou morre.


Nós, os agnósticos,  somos absolutamente descrentes de todas as religiões. Todas são frutos de líderes habilidosos em seduzir as massas. E são todas cópias adaptadas às suas circunstâncias. Os que conhecem as suas histórias sabem de suas semelhanças: a mãe de Buda era virgem e ascendeu aos céus ,como a Virgem Maria, segundo  Michelet na sua obra A Bíblia da Humanidade . Os paramentos da igreja católica são em tudo cópia dos usados pelos  rabinos. Uma religião aproveita-se das narrativas das outras, sem cerimônia. Como na China: “nada se cria…tudo se copia”.


As religiões, ainda que se intitulam de criação divina, não passam de empresas humanas. Portanto carregam  no seu seio o gérmen da imperfeição . Não existe perfeição nas coisas criadas e administradas pelos homens. Somos seres limitados por natureza.


O tempo joga a favor das religiões. As massas não tem memória. Leem pouco e dão pouco valor à história . Um

líder religioso, que cria uma nova seita, em séculos à frente será endeusado

 como sao Buda, Jesus e Maomé. É só questão de tempo.


Em uma visão panorâmica , Moisés fez a primeira grande reforma ao libertar os judeus do paganismo; Cristo fez a segunda  ao apresentar-se  como filho de Deus; Lutero livrou os católicos da corrupção do Vaticano.


A igreja católica, a mais marcada por escândalos em sua longa história, consegue sobreviver apesar de escravista, das guerras de conquistas, da inquisição e da pedofilia. Os seus adeptos relevam como sendo  estas falhas humanas, mas não da instituição. Argumento que poderia ser aceito se não fossem crimes praticados de forma institucionalizada. Como justificar séculos de exploração de escravos, milhares de vítimas de padres pedófilos e acumulação de um

Patrimônio econômico, que a situa entre as mais ricas empresas do mundo?


Nós,  os agnósticos,  temos a obrigação de alertar os crentes do grande engodo que são as religiões. Elas não passam de empreendimento comercial a atender interesses privados. Beneficiam-se  para justificar-se do medo da morte. Elas exploram os fracos que necessitam de um apoio psicológico para suportar as injustiças deste mundo. Napoleão Bonaparte , sobre as religiões, as considerava importantes para dar uma satisfação a um faminto frente um semelhante arrotando por ter comido demais. Para ele as religiões prestavam -se como ideologia de dominação das massas.



Jesus Cristo deveria ser analfabeto, pois não deixou uma linha escrita. Todas as suas pregações foram reproduzidas por alguns apóstolos . O que permite duvidar da precisão e até da veracidade. Ademais a Bíblia é considerada como tendo sido obra de   algo como 1.500 escritores ao longo do tempo. A começar pelos 10 mandamentos, que Moisés diz ter recebido diretamente de Deus no Monte Sinai. 


Os ateus são categóricos — não acreditam em Deus. Nós, os agnósticos , não somos tão definidos. Temos dúvidas na Sua existência; pois não conseguimos provar não existir um  Deus. Em não tendo razões para desacreditar, mantemo-nos em dúvida .  Não temos  fé ( negação da racionalidade )  que dê sustentação para essa crença. Nem o “crê ou morre” dos fanáticos muçulmanos nos livraria da dúvida da  existência de um ser divino, o que explicaria a ordem das coisas deste mundo. 


Sao Paulo, 13 de Novembro de 2023

Jorge Wilson Simeira Jacob









domingo, 12 de maio de 2024

 


Homem comum


Posso estar enganado, mas todos os leitores frente a um novo livro procuram a última página para saber o tamanho do desafio. Pelo menos eu tenho este hábito . Livros com textos acima de trezentas páginas exigem uma boa motivação ( interesse ) para serem lidos. Já os pequemos tomos de menos de duzentas páginas são mais atraentes. Há os que acreditam que se o autor não foi capaz de transmitir a sua mensagem sinteticamente não o fará prolixamente. Uns, que gostam de textos prolixos , proustianos, — diga-se de passagem, uma minoria — deliciam-se nos grandes textos. Outros   adoram  grandes tomos  ricos em figuras de linguagem e enredo .


 Philip Roth, no seu sintético livro Homem Comum, ( Cia. das Letras, Amazon R$ 36,16 , Everyman no original ) nas suas 119 páginas conta com competência a pequena história do seu personagem na luta pela imortalidade. É um livro para leitores de pouco fôlego ou que queiram preencher um pequeno espaço de tempo. O autor satisfaz estes desejos muito bem. 


Reconhecido como grande escritor, venceu   o Prêmio Pulitzer por Pastoral Americana seu  titulo premiado.Foi, em inúmeras vezes , colocado entre os mais lidos autores nos Estados Unidos. Este texto,  de leitura  leve, sem grandes elucubrações filosóficas   merece ser lido. Ainda  que dedicado a entender a vida, que é complexa, pode  ser visto  de um só gole. Não ha muito sobre   o que pensar. 


Philip Milton Roth foi um romancista norte-americano, considerado não apenas um dos mais importantes romancistas judeus de língua inglesa, mas também, segundo o crítico Harold Bloom, o maior contador de histórias americano depois de Faulkner.


 Neste livro, o personagem principal, sem nome propositalmente,confrontava a sua fragilidade física com o saudável Howe, seu irmão. Profissionalmente bem sucedido em um agência de publicidade, ele não deixava de ter uma vida sexual paralela. Casou-se três vezes, além de outras aventuras extraconjugais, descritas com certa dose de moderado erotismo.


Este  pequeno romance trata de temas centrais da existência humana tais como morte, velhice, desejos, arrependimentos e doenças. O autor conta a história do protagonista,  através de suas doenças da infância à sua velhice, como um confronto permanente do homem com sua mortalidade só terminando com o triunfo da morte, ela que "avassala tudo" por onde passa.


São Paulo, 30 de abril de 2024.

Jorge Wilson Simeira Jacob