sábado, 18 de abril de 2026

 Da liberdade



Segundo as Sagradas Escrituras, São Tomé duvidou da ressurreição de Cristo. Foi necessário  tocar na chaga de Jesus para convencer-se do milagre.


Ver para crer tornou-se um fato corriqueiro  em nossa vida. Mas nem todos veem assim. Somos mais complexos do que isto. Os humanos, neste aspecto, podem  ser classificados entre três tipos:

  • os que não acreditam nem no que veem, são os cegos mentais; 
  • os que só acreditam quando veem , como São Tomé
  •  e os que acreditam sem ver, como os gênios que enxergam alvos não vistos por ninguém.


Enxergar o que ninguém viu é a distinção entre os gênios e os medíocres, que nada veem. O medíocre não vê ou  não acredita nem no que vê; o talentoso acerta no alvo que vê. Mas o genial acerta no alvo que ninguém viu, dominam o pensamento abstrato.


Enfrentar o desafio de enxergar  algo concreto  é acessível à maioria. Só uma minoria enxerga um alvo abstrato . Ela  exige um intelecto superior, o que não é o caso da maioria. Todos veem a  impossibilidade de caminhar de um paralítico. É um fato concreto.  Só um cego ou idiota não vê . Mas não é perceptível avaliar a olho nu o nível de inteligência alheia. Este  é um desafio abstrato.


A mesma dificuldade existe em identificar as virtudes de uma outra abstração — a  liberdade individual. Aos  medíocres não é acessível perceber as vantagens de deixar o homem livre  até o limite da liberdade dos outros. 


Por natureza tendemos a acreditar que só o autoritarismo enseja resultados. Só os que foram educados em clima de liberdade, propiciam aos filhos um ambiente sem imposições e castigos e administram um povo com um mínimo de leis e regulamentos.


Só a liberdade assegura  ao individuo a possibilidade de defender a sua dignidade. Como sem dignidade não vale a pena viver, a liberdade deve ser a primeira das nossas prioridades. Vindo em seguida o fato comprovado de ser a liberdade o que dá ao homem a flexibilidade para adaptar-se ás constantes  mudanças da vida para construir a felicidade à sua maneira.


Darwin foi feliz ao definir que: “as especies que sobrevivem não são as mais fortes, mas a que se adaptam”. Os dinossauros não se adaptaram por isto não sobreviveram, por  mais fortes que fossem. Por isto, para sobreviver, necessitamos da liberdade para nos adaptar.




Foram as épocas de maior liberdade econômica e política que, praticadas  nos últimos duzentos anos, mudaram para melhor a qualidade de vida da humanidade. A servidão antes vigente só gerou miséria e sofrimento. 


O mesmo se repetiu nos regimes  onde maior foi a limitação à liberdade, como nos países socialistas e populistas. Presentes a testemunhar são os casos de Cuba, Albania, Coreia do Norte e, perto de nós, a America Latina.









Uma flexibilidade máxima  não pode ser conseguida com limitações à liberdade. Como  a existência da flexibilidade é indispensável para enfrentamento dos desafios à sobrevivência,  e como a capacidade humana não conhece limites, a solução é deixar a cada um a escolha da felicidade à sua maneira. 


Um caniço nos dá uma lição concreta: verga para sobreviver a um temporal, ao contrário de uma poderosa seringueira que cai por sua rigidez. Uma democracia liberal, cujas ideias estão baseadas na liberdade individual, é o regime que tem na flexibilidade o seu poder de superar pacificamente as crises.


Infelizmente a liberdade é uma abstração não acessível à base da pirâmide social.Esta maioria  não acredita nem no que vê.   E os que só valorizam o que veem, optam por propostas concretas dos populistas-socialistas. Ora é uma bolsa qualquer, outra é uma promessa de lanche grátis. E está   opção pelo imediato e concreto que condena o homem à servidão. 


São Paulo, 12 de abril de 2025.

Jorge Wilson Simeira Jacob


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