sábado, 22 de fevereiro de 2025

  


Dislexia e TDHA


Thomas Hobbes, filósofo inglês, 1588/1679,  acreditava que o homem era naturalmente “mau”, bárbaro e egoísta. Em seu estado de natureza, o ser humano estaria sempre disposto a sacrificar o bem-estar do próximo em nome de suas vontades.


Tese essa que, aceita, nos   leva a concluir ser a bondade não uma qualidade ( intrínseca ) ,  mas uma virtude ( adquirida) do ser humano. Esta é uma  raridade neste mundo materialista. Própria de  seres aprimorados.




Nesse sentido  a Associação Brasileira de Dislexia ( ABD), na sua existência, é um caso pratico dessa virtude. Desde a sua fundação e por toda a sua história, esta entidade filantrópica escreveu capítulos de bondade.



Um desses capítulos de bondade pode ser visto no recém-lançado  livro "Dislexia e TDHA” ( Amazon,  Editora Anjo, 256 pg, $49,90) , que deve ser lido por profissionais, pais e dos que exercitam a virtude de querer o bem do próximo.


E é nesse exercício virtuoso que escrevo esta  resenha para prefaciar o citado livro. Contribuir para a leitura deste texto é uma forma positiva de fazer bondade.


O texto, a par de ser muito técnico/ profissional, é emocionante para os que sentem nas suas entrelinhas ter sido escrito com amor. Há empatia com o sofrimento das pessoas, crianças e adultos, que sofrem a angústia da dificuldade de se equiparar aos seus pares rotulados como normais.


Talvez a minha consciência da existência de um exacerbado mercantilismo praticado no mercado da saúde, seja a razão de me sensibilizar com a postura humanitária dos diversos profissionais que contribuíram para compor esse livro.


Mercantilismo que tem a sua diferenciação quando o profissional objetiva em primeiro lugar o lucro e por consequência a solução do mal. O que é legítimo quando o que acontece é o contrário.


Cumpre assim este livro com a missão que inspirou a criação da Associação Brasileira de Dislexia — ajudar os disléxicos de todas as formas possíveis, sem pretender outro retorno que não seja fazer o bem.


Ainda que o foco do texto seja os indivíduos com  dificuldades de aprendizado, o tema deve merecer o interesse de todos : pais, professores e profissionais da saúde. Pois, não há família que não tenha ou venha a ter um disléxico na sua prole.


Didático, prático, em leitura acessível ao leigo,  todos  têm o que aprender da sabedoria amealhada em anos de estudo e observação pelos profissionais que assinam os diversos capítulos do livro.


Os beneficiados com a divulgação do conhecimento não são só os portadores de dificuldade de aprendizagem,   também os que amam e querem o bem dos seus dependentes . Ganha, no todo , a sociedade com a inclusão de um número significativo de indivíduos inteligentes, que  deixam de ser um peso morto para a nação .


De todos os males da dificuldade de aprendizagem e a ignorância  sao dos mais indesejados. 


Leia este texto para estar preparado para encarar esse grande desafio, que está ou estará presente em todas as famílias — inclusive a sua.


Sao Paulo, 28.06.2024

Jorge Wilson Simeira Jacob










sábado, 15 de fevereiro de 2025

 A Revolução Cultural Silenciosa


Não são poucos os livros que tratam da atual Revolução Cultural. Outras épocas na historia da humanidade, que provocaram mudanças radicais sócio-política-econômicas,  também foram registradas em livros.


O Capital  Karl Marx provou uma uma revolução cultural   questionamento o capitalismo, baseado na propriedade privada, na liberdade individual e na economia de mercado. A  proposta comunista de economia centralizada,   propriedade só estatizada  e da supremacia do social sobre as vontades individuais provocou muitas revoluções com mortes.


Os  Cadernos do Cárceres de Antonio Gramsci, comunista italiano, revolucionou a cultura vigente com uma  estratégia ( marxista ) de tomada pelo poder não pela força, mas por uma ação cultural.


Essa revolução cultural  concentrou-se em converter aos ideais comunistas os formadores de opinião. Os intelectuais dos partidos socialistas cooptaram os universitários, intelectuais dos meios  de comunicação e  os políticos para o ideal socialista.


As massas seriam convertidas pelos comunicadores com uma retórica acessível ao nível do seu despreparo académico. Os resultados foram os melhores. Os partidos socialistas tornaram-se uma forte força nas eleições mundo à fora .


Um evento pratico fez um estrago no proselitismo socialista. A queda do muro de Berlin, com a falência da URSS, que abriu ao mundo os horrores do comunismo. 

O capitalismo — propriedade privada, liberdade individual e a economia de mercado — tinha aniquilado o comunismo. 


Fukuyama, intelectual americano, precipitou-se cantando vitoria no seu famoso texto O Fim da História, que previa  agora só existir um modelo — a democracia liberal. 


Ledo engano. Os socialistas reagiram reorganizando-se. O Fórum de Sao Paulo, iniciativa de Fidel Castro e Lula, tornou-se uma referencia de união e de difusão de ideias  para os partidos políticos de todo mundo.


Sem dúvidas os  socialistas estavam sendo bem sucedidos na revolução cultural no mundo subdesenvolvido. Pouco era divulgado ao trabalho de catequese desenvolvidos pelos comunistas  nos Estados Unidos da America ( EUA ).


A  catequese comunista nos  EUA  foi desvendada no livro Revolucao Cultural Silenciosa do autor Christopher F. Rufo de 2024, editora Avis Rara, Neste texto de leitura fácil,  em  351 paginas de historia social muito bem contada, aprende-se o quanto e como a nação americana, tida como líder mundial do capitalismo, têm a sua cultura sendo minada por  uma revolução cultural socialista.


Surpreende na leitura saber a eficácia da ação  dos adeptos do comunismo nos EUA. Surge como influenciador o filosofo Herbert Marcuse, que foi seguido por diversos ativistas inclusive pelo comunista  brasileiro Paulo Freire, que influenciou a educação com a sua Teoria dos Oprimidos.


É sabido que  às massas não são acessíveis  a teorias abstratas. Elas reagem ao prático e aos resultados de curto prazo. A fim de atender a estas características os

estrategistas  desenvolveram conceitos que, agora arraigados na sociedade, emergiram de uma fusão astuta entre marxismo  ideologia identitária, vulgarmente identificada  como  Agenda  Woke*, que estimula a inveja, a revolta e o sentimento de vingança das minorias — sentimento latente nos “oprimidos”.


Segundo o autor: “ essas ideias subverteram o conceito de igualdade de oportunidades , trocando- o pela busca por igualdade de resultados; enfraqueceram os direitos individuais em favor das identidades de grupos…”


As grandes lideranças dessa revolução foram Herbert Marcuse, Angela Davis, Paulo Freire e Derrick Bell, que merecem cada um deles um capítulo do livro. É surpreendente na leitura constatar a influência das ideias e as suas consequências no país líder do mundo!


Em linguagem prática, a estratégia da ideologia identitária foi  alcançar as minorias, que se sentiam inferiorizados na sociedade: os negros, os pobres, as mulheres… Ou os sensíveis à ameaças:  catástrofe ecológica, densidade demográfica, identidade de gênero…


Explorando ideias eleiçoreiras com base na desigualdade.Pois tudo  era consequência, não do mérito, mas de uma injustiça social, que seria corrigida no comunismo. Neste todos são iguais…em  teoria, pois não foi a sua prática nos países comunistas.


O presidente da Argentina, Javier Milei, líder mundial da liberdade, consciente da importância da batalha cultural, com exemplo inquestionável, levanta o caso do Chile. Diz ele:” a reforma do Estado feita no Chile, ainda que tenha elevado  o país  à melhor renda per capita da região e tirado milhões da miséria, passada a fase revolucionária, retornou ao socialismo que a tinha empobrecido”.


 Reafirma ele a sua convicção de que não basta reestruturar o governo, sanar as finanças, se não se vencer a batalha cultural. 


Uma contra revolução está em curso. Os adeptos da democracia liberal, na atual contra -revolução, devem convencer as pessoas de   não haver substituto para os valores da democracia casada com o capitalismo.


O socialismo só produziu no mundo até agora mortes, miséria e injustiça. Foi a revolução capitalista que tirou o mundo da miséria e da opressão.


Leiam A Revolução Cultural Silenciosa para vacinar-se contra o canto da sereia dos movimentos identitários, Agenda Woke,  com a proposta de inclusão, diversidade e equidade, construídas para atrair os que se sentem oprimidos, não para libertá-los, mas para tomar o poder.


*O uso do termo "woke" surgiu na comunidade afro-americana. Originalmente, ele queria dizer "estar alerta para a injustiça racial". Um movimento da esquerda com objetivo político. 



São Paulo, 01 de fevereiro de 2025.

Jorge Wilson Simeira Jacob















sábado, 8 de fevereiro de 2025

 Uma Odisseia no espaço.


É do ser humano a sensação de frustração quando olha o passado e reconhece os seus erros e as suas falhas de julgamento. Quanto mais idosa é uma pessoa maiores elas são. O sentimento sempre é de que, se tivéssemos a experiência de hoje e soubéssemos a evolução da história, teríamos feito tudo de forma muito diferente. Sofremos no viver,  muitas das vezes, inutilmente. Com frequência fomos eficientes, mas não eficazes.


Em retrospectiva,  constataremos as oportunidades perdidas e as decisões das quais nos arrependemos. Lamentavelmente o feito está feito e não há como repará-lo. Muito apropriado é o dito popular de que “ a vida é vivida só uma vez, sem ter tido ensaio”. 


Entretanto, se não podemos corrigir o passado, e temos determinação de minimizar no futuro os nossos erros, podemos juntar a experiência adquirida e tentar “adivinhar” o futuro. O fundamental é saber o que queremos dele.


Não há como ignorar que por mais experiências que tenhamos vivido não as vivenciamos todas. Situações inusitadas continuarão a nos surpreender. Este é o ponto de partida. A seguir teremos que tentar decifrar o futuro . Com  a certeza de ser este indecifrável, mas, quando muito,   podemos especular sobre dois ou três cenários possíveis para nos posicionar. É o que vamos tentar fazer.


Como será o mundo no futuro próximo?


Como o espectro é muito amplo, portanto, impossível de ser totalmente avaliado, vamos  eleger para a nossa especulação duas ou três macro-correntes externas a nós , que sejam fortes e prováveis . Elas seriam: a mudança climática , a inteligência artificial e o decréscimo populacional. Acredito que elas  influenciarão  sobremaneira o nosso futuro. 


Evidentemente cada um fará a sua aposta. Uns acreditarão que a natureza entrará em exaustão, por inépcia da humanidade , ou que agiremos para restabelecer o equilíbrio climático. Podendo mesmo contar com a hipótese de que, como na histórica tem acontecido, a natureza por si só encontrará o seu equilíbrio. Os atuais fenômenos ( chuvas, calor, seca…) nada mais seriam  do que ciclos naturais, como outros já vivenciados pela humanidade.


Outra corrente, a inteligência artificial de todos os fatos colocados à nossa frente, é a causa   que mais dificuldade se nos apresenta para avaliar os os seus efeitos. É ainda uma incógnita. Poderá ser a redenção do trabalho não só o rotineiro mas como o criativo. Talvez seja uma benção a contrabalançar a prevista redução populacional, suprindo mão de obra e inteligência. Como também poderá decretar o fim da humanidade se se rebelar contra os criadores, como fez o computador Hall 9000,  no   filme Odisseia  no Espaço. Hall  desandou e colocou-se contra a tripulação da nave espacial Discovery.


Já o  decréscimo populacional, previsto a partir das próximas  décadas, terá como efeito a perda do chamado “bônus demográfico” — onde uma geração predominantemente jovem arca com o sustento da aposentadoria de um número crescente de idosos. Estes que estão vivendo cada vez mais,  onerarão a sociedade com cuidados e custos. Se todos tendem a envelhecer, quem cuidará da nossa velhice?



O que seremos nós no futuro?


A par dessas possíveis causas citadas, há que se acrescer na nossa especulação a evolução para pior dos valores éticos e morais. Para os conservadores a ética e a moralidade estão em acelerada decadência. Foi a degradação dos costumes.  que levou à derrocada o Império Romano.


Outras  causas a serem  consideradas estão  a obsolescência profissional e funcional. Os conhecimentos atuais  não serão valorizados com a revolução tecnológica. As profissões vão desaparecer assim como   saíram do mercado  carruagens,  telégrafo,  datilografas … Outras crescerão como personal trainer, influencer e seus servidores…


Como as inovações vão lidar com a decadência ética e moral já em andamento? Como a família será afetada? Como a nossa vida será vivida se os governos forem totalitários?Como essas,  muitas outras perguntas sobre a evolução cultural pedem explicações para parametrizar a nossa vida.


A verdade verdadeira é que prospectar   o futuro gera  mais perguntas do que respostas. Quanto mais respostas acertarmos menor serão os nossos erros e frustrações. No citado filme, A Odisseia no espaço, o projeto da nave espacial tinha um objetivo definido, mas o resultado foi o imprevisto. A nossa  vida futura não será diferente.


 A nossa Odisseia é uma viagem imprevisível. Terminaremos como começamos : arrependido dos erros e frustrados com os resultados.


São Paulo, 28 de agosto de 2024.

Jorge Wilson Simeira Jacob



sábado, 1 de fevereiro de 2025

 As bênçãos da  ignorância.


John Lennon ( Beatles ) afirmava que a ignorância é uma bênção porque não saber das coisas faz com que a gente não reconheça a necessidade de mudar. A ignorância vai privar você da ansiedade pela mudança e pela melhoria, mas também vai te aprisionar e te levar a acreditar no conto da carochinha.


Um pintor  está dedicado à sua função pintando uma fachada de uma casa. É uma manhã de temperatura agradável e ensolarada. José ( nome fictício ) espaça as pinceladas de tinta a óleo com o assoviar de uma alegre canção sertaneja. O sustento de sua família depende de oportunidade de trabalho, que não lhe falta, de disposição física, que tem, e de óleo para fazer a tinta, que sempre encontra onde comprar.


José está feliz. Ignora que, por falta de cambiais, o presidente Geisel vai determinar o racionamento do óleo que é importado. Nestas circunstâncias, ele não terá a tinta a óleo para poder trabalhar, o que compromete a sobrevivência da sua família. A  ignorância da ameaça é a razão da sua momentânea tranquilidade. 


Mudança de cenário.


Adão está no Éden admirando as flores ao lado da sua recente conquista, Eva. O dia está maravilhoso e ele está feliz olhando  a beleza da sua nova conquista. Passados eram os momentos de triste solidão, desperto do sono em que perdeu uma costela, cantarolava canções em louvor a Deus pelo presente recebido. 


Ignorava Adão que, tentada pela serpente,  Eva havia colhido o  fruto proibido que lhe tinha sido oferecido. Relutou Adão, mas a tentação era atraente: eles, ao comer a fruta, perderam a inocência e dominaram também o bem e o mal como o Criador. Esta ousadia, se de um lado reduziu-lhes a ignorância, de outro lhes custou o Paraíso, que por direito Divino pertence aos pobres de espírito, segundo o evangelho.


A partir do ato de  desobediência os  descendentes de Adão e Eva colocam-se em duas  distintas situações: os ignorantes completos e os iniciados. Os primeiros vivem o seu dia a dia com  preocupações limitadas à sobrevivência imediata. Não sofrem nem com o futuro incerto e nem com questões existenciais. As questões existenciais são respondidas por um  religioso na igreja aos domingos. A religião simplifica para eles os mistérios  metafísicos. O religioso pensa por eles. Uma Bíblia romanceia a aventura humana na Terra e os livra de crises existenciais.


Os iniciados, que escapam da ignorância absoluta, por estudos e reflexões, têm uma existência carregada de preocupações. Não só  ameaças e oportunidades dominam o seu dia a dia, mas também são demandados de penetrar no pensar dos filósofos em busca da razão de existir. De onde vim? Para onde vou? Por tentar pensar com autonomia não delegam a um profissional ( religioso ) o esclarecer as suas dúvidas transcendentais. Não confiam nos  livros vendidos como sagrados.


A busca da sabedoria é um desafio frustrante,  é um processo sem fim.

É como um buraco, quanto mais se cava maior fica. Quanto mais se sabe, mais se sabe que nada sabe, como  descobriu Sócrates. Como também,  os descendentes  iniciados de Adão.


O comer do fruto proibido trouxe como castigo, por desvendar o bem e o mal,  uma constante inquietação. O homem iniciado no domínio do conhecimento não têm a tranquilidade do pintor, um ignorante absoluto, que não provou o fruto da árvore do bem e do mal. 


A perda da inocência de Adão e Eva condenou os iniciados à dúvida, à inquietação, à constante preocupação com o futuro. Reservando aos não iniciados as bênçãos  da  ignorância .


São Paulo, 06 de janeiro de 2024.

Jorge Wilson Simeira Jacob