sábado, 29 de março de 2025

 O Milagre Argentino


Como ser humano, com suficiente autocrítica, tenho consciência das minhas imperfeições. Algumas delas consigo amenizar outras não tanto. Entre as  imperfeições  só uma virtude sobreviveu: a ausência do sentimento de inveja.


Ao notar uma virtude ou qualidade em alguém a minha reação nunca foi de inveja, mas de admiração. Aquilo que não consigo ter ou fazer,  por limitações mentais ou físicas, provoca em mim respeito por quem consegue. Sou um entusiasta do sucesso alheio. Sei que as suas contribuições fazem o mundo melhor.


Nunca fui tentado a  disputas de  aparência pessoal, de  inteligências superiores, de cultura enciclopédica, e, menos ainda, da posse  bens materiais. Os  símbolos de status — carros de luxo, recantos de milionários,  objetos de grife — vejo  como as penas de um pavão. Embeleza, mas só engalana o próprio.




Sempre, mesmo quando era  pobre e agora pertencendo à classe media, nunca senti-me diminuído  na minha alta estima ao saber  o que outros têm a mais. Acima de tudo fui inoculado com a vacina que estimula o  respeito ao mérito alheio. Nunca quis nada que não fosse fruto do meu esforço.


Ademais, tenho como ideia de que ser rico não é a posse de muito, mas a satisfação com o que se tem. Esta predisposição é a razão da minha felicidade.


Em leitura que influenciou o meu desprendimento  está o livro do economista e sociólogo americano, Thorstein Veblen ( 1857/1929 ), um  clássico da economia social — A Teoria da Classe Ociosa. A sua tese do consumo conspícuo é uma crítica ao consumismo e à ostentação. Veblen fez uma análise da relação entre a classe social e o comportamento humano, que fez deste uma referencia.



Na minha longa existência, como todos,  tive que fazer escolhas. Uma delas foi optar entre duas alternativas: Ter ou Ser. Escolhi aquela mais compatível com as minhas crenças e natureza. 


Constatei na minha vivencia que os que escolhem Ter como objetivo de vida,  por mais que tenham, nunca se satisfazem. A ambição, quando se instala em um indivíduo, não conhece limites. 


Ao contrario, os que têm como desejo Ser, se conseguem o próprio respeito, não sofrem de frustrações. Cada um é um ser  especial e único. Dai a causa da  ausência de inveja.


A minha decantada ausência da inveja,  este meu ultimo bastião de virtude acaba de cair. Fui vencido, estou  tomado deste sentimento. Em vez de evoluir, estou como ser humano involuindo. E o pior é que estou gostando de ser invejoso.


A causa da minha queda no pecado da inveja é a Argentina. Se antes o nosso sentimento com relação aos argentinos era de inconformismo com a degradação econômica daquela que esteve entre as  mais ricas nações do mundo, daquela que surgia em nossa mente como uma possibilidade que  ameaçaria o  nosso futuro, hoje, é de inveja e admiração. 


Tenho inveja do futuro que espera aquele país com o abandono das equivocadas politicas dos peronistas. Não por menos fala-se no Milagre Argentino depois dos resultados   da gestão competente do presidente Javier Millei, neste um ano e pouco.


Com razão,  Millei recusa a adjetivação dos seus excelentes resultados — considerados impossíveis— como um milagre. Diz ele: “ não é milagre, mas simplesmente seguir as boas medidas que ja provaram dar certo”.


Realmente, milagre é efeito sem causa. No caso do atual governo argentino a causa das causas é a sua devoção à liberdade. Em clima de liberdade a sociedade faz milagres. Esta é a causa do sucesso de Millei.


Não só pelo que realizou neste ano de governo, mas como inspirador à nível internacional do respeito aos direitos fundamentais do cidadão,  o seu declarado amor à liberdade e a  meta fazer da Argentina o pais mais livre do mundo, é de fazer inveja até para alguém , como eu,  que nunca invejou ninguém.


Sao Paulo, 15 de marco de 2025

Jorge Wilson Simeira Jacob







sábado, 22 de março de 2025

 Votando com os pés.


Há situações que não deixam margem para dúvidas: preto e branco, calor tórrido e frio extremo, nudez total e traje à rigor e assim vai. As que deixam dúvidas são as intermediárias. Referindo-se  às cores temos  uma  diversidade de tons; à temperatura e aos trajes temos também inúmeras variações…


Na definição política temos as situações bem definidas, ainda que tenham nuances, como: comunismo e capitalismo. Como também temos nuances mais ou menos fortes destas correntes de pensamento. Como no caso do Brasil, que é meio socialista.


O comunismo refere-se à supressão total e absoluta da propriedade. Tudo pertence ao Estado e todos delegam a ele a  liberdade individual e inexistência do livre arbítrio. O Estado ( burocracia) é quem decide da  felicidade dos cidadãos. No capitalismo, a propriedade, a liberdade e a escolha da felicidade dependem do próprio arbítrio pessoal. Estes são considerados “direitos fundamentais “.


Na democracia liberal, que é o extremo oposto do comunismo, os governantes são escolhidos pelo votos em eleições livres e honestas, que não admitem nuanças — são  ou não são. Nos regimes comunistas, o cidadão não escolhe os governantes. É submisso  à vontade do partido único ( nomenklatura - a turma que mama nas tetas do governo ) ou, se puder, emigra, que é votar com os pés. Caso dos cubanos, venezuelanos, no presente, e das vítimas da URSS, antes da queda do muro de Berlin, que sinalizou a falência do sistema comunista e a morte do marxismo.


O contraste entre a qualidade da preferência das pessoas fica evidenciada  na corrente migratória. Milhões fazem filas, enfrentam barreiras mil para viver nos Estados Unidos fugindo de Cuba, Venezuela e outros países socialistas. Em contrapartida ninguém faz fila para ir morar nos “paraísos socialistas”. Os de  lá, como não podem exercer os seus direitos fundamentais , votam com os pés. Triste é analisar as estatísticas e encontrar o Brasil, que acreditava-se seria o país do futuro, que deveria estar atraindo imigrantes, estar aumentando o voto com os pés. 


O número de brasileiros no exterior saltou de 1,9 milhão em 2012 para 4,2 milhões hoje. E o fenômeno tende a prosseguir: em 2018, 70 milhões afirmaram que deixariam o país se pudessem. De cada três brasileiros um perdeu a fé no país.


A quantidade de brasileiros que moram em países da Europa cresceu 29% entre 2020 e 2023 (dados mais recentes do Itamaraty), passando de 1,3 milhão para 1,6 milhão. Portugal, que tem sido o principal destino, viu sua comunidade brasileira praticamente dobrar… Crise econômica, instabilidade política e violência são os principais motivos para deixar o Brasil.


Um indivíduo só abandona o seu país, abre mão da sua cultura, em caso de absoluta desesperança, da perda da fé em dias melhores. O sofrimento do emigrante não dá para ser descrito com palavras: as perdas do convívio familiar, dos amigos, dos hábitos do dia a dia e, muito importante, a sua cultura comum. 


Um imigrante nunca tem o mesmo tratamento que recebe um local: as barreiras do idioma, o desconhecimento da história, as diferenças dos cacoetes sociais, os usos e costumes, são barreiras que apenam o imigrante.


A emigração é um investimento na segunda geração. A primeira pagará com heroísmo a ousadia de votar com os pés. Vejo isto na experiência de um  filho, formado em universidade americana, casado com uma cidadã americana, naturalizado como cidadão americano, que tem como idioma em casa e nos negócios o inglês, ainda que integrado na sociedade e exitoso nos negócios, testemunha que em muitas reuniões com os locais muitas vezes sente-se deslocado por não ter as histórias de infância dos atuais amigos e as diferenças culturais — sente-se um peixe fora d’água.


Conhecer a realidade de um emigrante é tomar consciência de não ser uma solução fácil abandonar a terra onde nascemos e vivemos boa parte da nossa vida. As alternativas são como a escolha entre o branco e o preto. Não há nuances. É a escolha de um sacrifício.


Ainda, por mais desesperançado que seja o nosso atual estado de desencanto com o Brasil, serve de alento olhar a Argentina, que destruída pelo peronismo, começa a refutar o socialismo populista e está  implantando um regime em que prevalecem os direitos fundamentais da democracia liberal. Os argentinos expatriados, recuperada a esperança, devem votar com os pés, no sentido inverso,  voltando para casa.


Oxalá chegará a vez dos nossos expatriados!


São Paulo, 15 de março de 2025.

Jorge Wilson Simeira Jacob






sábado, 15 de março de 2025

 Donald Trump, um troglodita.


Nunca o poderio dos americanos ficou tão evidente como neste início de governo do Presidente Trump. Todos sabiam ser os Estados Unidos a nação mais poderosa do mundo, mas não na dimensão agora demonstrada. Trump matou a cobra e mostrou o pau. Ele está colocando o mundo de joelhos aos seus pés. Nenhum país foi poupado, principalmente os seus aliados.


Mesmo que concordando com as razões levantadas por Trump como: sustentar a defesa da Europa sem uma adequada contrapartida dos europeus, que economizam na defesa para gastar no welfare state; como nas práticas mercantilistas, que se aproveitam da prática de livre comércio dos Estados Unidos; como na absurda Agenda Woke, que troca o mérito pela esmola; e principalmente pelos desperdícios e corrupção existente no Deep State, que Elon Musk quer racionalizar ( DOGE), não dá para ter empatia com ele.


O que o qualifica como um troglodita não são os fins, mas  os meios adotados para atingir os seus objetivos. Com Trump a diplomacia foi jogada na lata do lixo, como na lei da selva, onde dominavam os trogloditas em  que predominava  a força bruta.


A base da sua ação equivale a mesma tática usada pelos nazistas na invasão da França, na Segunda Guerra Mundial, que ficou denominada como a blitzkrieg. Esta estratégia que tem na sua essência chocar e surpreender,  tentando fazer o máximo em muitas frentes tão rapidamente para confundir e esmagar qualquer oposição pelo volume e velocidade e para tornar impossível aos inimigos reunir-se em resistência.


Hitler dopou com drogas as tropas na invasão da França para  ficassem excitadas e não parassem para descanso. Os franceses, surpreendidos e assustados pela violência e velocidade, não tiveram outra saída senão a rendição. 


Trump, em poucos dias, com uma instabilidade e desrespeito a qualquer nível de civilidade, ataca surpreendentemente os seus históricos aliados: Canadá, México, Dinamarca e Panamá. Além de ameaçar a China e muitos outros. Ao romper com a Pax Americana, Trump está isolando os Estados Unidos do mundo.


Quem não conserva os amigos, amplia o arco de potenciais inimigos. Estas são as sementes que Trump está semeando. Ninguém, nem os Estados Unidos, é tão poderoso que não pode precisar de alguém em algum tempo; assim como ninguém é tão insignificante que não pode ser útil em alguma circunstância.


No arsenal de armas de Trump está o uso do dólar e as tarifas sobre as importações. Tudo tão imprevisível, que o mundo foi pego de surpresa. As reações virão em termos econômicos e políticos. Com certeza, doravante, talvez não na mesma violência e velocidade do ataque, as nações, ao perder a confiança nos Estados Unidos, vão procurar não depender do dólar e nem das exportações para o mercado americano. A consequência é que o porto seguro  será não colocar todos ovos na cesta deles.


A Pax Americana corre perigo. A geopolítica foi colocada de ponta cabeça. Na crise de 1929, o craque, ao contrário do que muitos acreditam, foi motivada justamente pelo aumento das tarifas sobre importação, aumento das taxas de juros pelo Tesouro americano e inação do governo nas corridas aos depósitos dos bancos.


Será que o Trump, quebrando as cadeias globalizadas com barreiras tributárias estaria repetindo um erro do passado? Certamente  estará comprando inflação, que castigará o consumidor;  instabilidade, que dificulta a gestão empresarial;  e inibirá os investimentos.  Só o tempo dirá. A história registra que o mercantilismo, que é a ideia inspiradora do Trump, nunca deu bons resultados. 


O trogloditivismo do Trump nos remete, além de um mercantilismo superado, ao abandono do softpower, que substitui o hardpower dos tempos do Teodoro Roosevelt. Esta política — Big Stick Diplomacy — era baseada na teoria do uso da força . Existe um custo de longo prazo do risco conhecido do Beggar-thy-neighbor" — uma expressão que se refere a políticas que um país adota para beneficiar a sua economia, mas que prejudicam a economia de outros países. Uma política de trocas do tipo que aprofundou a Grande Depressão de 1929.


Trump está comportando-se como agente do caos, que usa da força extrema para tirar vantagens das outras nações. Abandonando o         soft-power, que deu ao mundo a Pax Americana, desde 1945,  e ao mundo uma admiração pelos americanos, poderá ter como resultado não  o esperado e nem desejado. 


Por oportuno, sugiro a releitura, neste jornal,  do  meu artigo, A Natureza Não Dá Saltos, de 25.01.25, que trata da tese da perversidade das mudanças sociais forçadas, que terminam mal  quando a ação do homem interfere na sua trajetória. Geralmente os resultados não correspondem às suas boas intenções. 


São Paulo, 06 de março de 2025.

Jorge Wilson Simeira Jacob







sábado, 8 de março de 2025

 O direito de criticar


James Baldwin é considerado um expoente da literatura americana. Novelista e ensaísta, segundo a resenha da  edição(  03.08.24 ) da The Economist, sessão Culture,  dedicada ao seu centenário, poucos americanos  viram o seu país mais claramente do que ele. 


Nos ensaios, onde destacou-se como um dos melhores ficcionistas americanos, Baldwin , que era profundamente patriótico e resistente ao fanatismo  assumia que:   “Eu amo a América mais do que qualquer outro país do mundo e, exatamente por esse motivo, insisto no direito de criticá-la perpetuamente”.



A sua aversão ao fanatismo foi expressa em um pensamento que ganhou notoriedade.Disse ele: “Nem tudo o que pode ser enfrentado pode ser mudado; mas nada pode ser mudado se não for enfrentado”. Uma   censura aos fanáticos que se recusam a criticar uma realidade.


O mundo conhece  e a história registra ondas de fanatismos. Elas são notórias principalmente por  terem sido reconhecidas como ondas de fanatismos: as Cruzadas ,  a Santa Inquisição, a Revolução Comunista e tantas outras. O fanatismo alimenta-se das emoções. É da perda da racionalidade que nasce o fanatismo.


Oportuno levantar a existência de fanáticos quando estes estão  corrompendo a liberdade das ideias.  São os torcedores apaixonados que defendem os seus partidos com unhas e dentes no  campo dos esportes; na política e na religião . O fanático faz parte de uma turba movida à emoção.


Essa postura maniqueísta — o fanatismo — é de uma miopia condenável. O fanático não consegue, por ser psicologicamente insensível a opiniões outras que não a sua, a olhar  o outro lado da cerca com empatia. Ao fanático irrita ser confrontado com a divergência, com as diferentes opiniões. Ele considera-se dono da verdade, mas na verdade é um ingênuo.


Justamente por amar a América é que Baldwin julgava-se no direito de criticá-la. Apontar os erros é uma forma de amar. Torcer por alguém que está na direção errada, não contribui para o seu desempenho. O fanático quer adesão incondicional às suas posições. Opiniões contrárias são rechaçadas como torcida contra o objeto, não como crítica contra o  caminho tomado.


Depois que os petistas dividiram o Brasil entre nós e eles, a nação separou-se em dois partidos. Os que criticam o governo e os outros. Estes não consideram críticas ao jeito petista de governar como discordância com o meio, mas como uma torcida cega contra o país. Quando na verdade, discutir outras maneiras de governar, sim é amar o Brasil. Torcer para alguém que está no caminho errado é contribuir para o seu insucesso.


Parafraseando Baldwin: amo o Brasil mais do que qualquer outro país do mundo e, exatamente por esse motivo, insisto no direito de criticá-lo perpetuamente”. Exatamente porque: “Nem tudo o que pode ser enfrentado pode ser mudado; mas nada pode ser mudado se não for enfrentado”. 


Enfrentar a equivocada trajetória do Brasil em busca da civilidade,   criticando-o , é um direito de nós que o amamos.


São Paulo, 07 de agosto de 2024

Jorge Wilson Simeira Jacob





sábado, 1 de março de 2025

 A sabedoria acumulada 


Até 200 anos atrás a população mundial vivia pouco ( idade média de 25 anos  ) e muito mal com uma  renda anual per capita ínfima ( US$400 em 1810 e mais de US$40 mil em 1991), segundo o site Vespeiro, - 200 países em 200 anos, no vídeo do YouTube de 23.11.22. Não há como deixar de admirar um avanço que baixou o nível de miséria  mundial de 95% para os atuais 5%.


Com dados tão animadores, torna-se imperativo  de tentar entender as suas causas. O inicio deste processo coincide, como muitos estudiosos explicam, com a revolução industrial que tirou o mundo do mercantilismo para o capitalismo.


Não só o capitalismo provocou uma melhora nos dados econômicos e  na qualidade de vida em geral, como deu um salto no conhecimento geral. Devemos à tipografia inventada por Gutenberg a redução da ignorância institucionalizada, inclusive as inovações do capitalismo. Até então só  as elites tinham acesso aos textos escritos à mão até  a idade média. A leitura era para os privilegiados  ligados aos monastérios. O povo vivia no obscurantismo, sem acesso nem às velhas e muito menos às novas ideias.


O que os livros fizeram foi democratizar o conhecimento e difundir as novas ideias. Entre elas, a virtude do capitalismo de superar a miséria. Alterando com isto o ponto de partida para os pensadores. Era como começar a subida de uma escada não mais do primeiro degrau como acontecia, mas de andar superior  onde outros já tinham chegado. 


Os números, como os demonstrados no vídeo do YouTube, acima citado, são expressivos para quantificar a

melhoria do desenvolvimento provocado pela descoberta de Gutenberg. A idade media de vida dobrou  e a miséria mundial, como conhecida até a Idade Média, quase foi eliminada. Nada parecido aconteceu nos 5.000 anos da humanidade antes do capitalismo surgir.


É sabido que as pessoas inteligentes aprendem com a própria experiência; já os sábios aprendem também com a experiência alheia. E a experiência alheia é transmitida modestamente de boca a boca

 e/ou  pela observação, mas é universalizada pela leitura. São os livros, os jornais, as revistas e os outros meios de divulgação que colocam o individuo em patamares mais altos para começar a subida. Voltaire já dizia, antecipando-se a estas ideias de que: “ o discípulo que não supera o seu mestre é um infeliz”. Pois  ele começa do ponto de onde o outro terminou.


Uma nação que não lê vale menos do que aquela de homens que leem —  plagiando a famosa ideia propagada pelas editoras de livros. A ignorância, portanto, é um fator negativo. Mark Twin, escritor americano, acrescentava: “  O homem que não lê não tem vantagem sobre o homem que não sabe ler”. 


Levada a sério essa observação do Twin, como no Brasil se lê muito pouco, valemos na mesma proporção a de uma nação de quase-analfabetos. Neste sentido, os diferentes níveis de  analfabetismo explicam a qualidade de vida das diversas regiões do país. Esta aí um grande obstaculo à superação da nossa pobreza e distribuirão de renda.


O processo é cruel. O ignorante, analfabeto literal ou funcional,   desconhece os benefícios do conhecimento. Está sempre partindo nas suas escadas do primeiro degrau. Nunca vão superar os que foram bem sucedidos e, portanto, estão nos andares superiores. A sua ignorância os torna presas fáceis dos demagogos, pois  não valorizando os candidatos melhor preparados, que podem decidir com a sabedoria aprendida de outros, deixam-se levar pela dos ignorantes intuitivos, que infelicitam o país.


Em 2018, estatística mais recente, o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) apontou que 29% dos brasileiros eram considerados analfabetos funcionais. Não eram capazes de entender um texto.


O custo mais caro na economia e o maior prejuízo sócio-político é o desperdício de não se aproveitar da lsabedoria acumulada nos textos escritos. Os brasileiros são pobres como nação, não por falta de condições naturais, mas por serem campeões de eleger ignorantes que não leem e nem estimulam a leitura — o que não nos permite partir da sabedoria acumulada nas leituras.



São Paulo, 24 de novembro de 2024.

Jorge Wilson Simeira Jacob